Pela Europa de mochila

Entradas do Maio 2008

Lisboa, ora pois!

Maio 27, 2008 · 2 Comentários

Por Erika Araújo

De Funchal partimos para Lisboa de manhã cedo, deu tempo do Rodrigo nos levar ao aeroporto antes de ir para o trabalho. Já estávamos na capital portuguesa antes do meio dia. Do aeroporto ao centro, onde nos hospedamos, o trajeto foi de uns 40 minutos usando transporte público, a 1,35 euros por pessoa. Saltamos do ônibus na Praça do Comércio e fomos direto para o nosso hostel na rua Algusta. Região onde o movimento de turistas é bem intenso e o de vendedores de haxixe também. Mal pisamos no cançadão e já fomos abordados por um senhor de terno azul marinho, risca de giz, corpo esquelético, cara bem decadente, que nos mostrou um punhado de bolinhas verdes e cochichou: haxixe? Uns dez metros depois foi a vez de um outro fulano: marijuana? Coke? Em plena luz do dia, sem muita descrição, entre os policiais fardados…

Fizemos o chek-in, acomodamos os quase 20 kilos que cada um carrega nas costas e saímos para almoçar. No primeiro restaurante que simpatizamos fomos recepcionados por um brasileiro paulista. Pedimos um dos pratos tradicionais que o rapaz sugeriu, bacalhau com natas. O peixe desfiado é preparado e servido num prato de barro, coberto com um creme que mistura queijo e creme de leite e vai depois ao forno. Uma delícia. Tomamos nossa primeira cerveja observando o movimento da rua e as fachadas da redondeza. O que nos fez pensar em alguns dos prédioas antigos que vemos no centro de São Paulo lá pelos lados da São Bento, Praça da Sé, 25 de março e por aí vai.

Orientados pelo nosso guia da Lonely Planet partimos em direção ao castelo de São Jorge num bondinho amarelo dos que aparecem em vários cartões da cidade. Nos distraímos e acabamos descendo no ponto final, uns três pontos depois do castelo. O que no fim das contas nos obrigou a conhecer um outro canto da cidade que não planejávamos. Conhecemos a Igreja da Graça, paramos para tirar umas fotos no mirante em frente e tomamos a segunda cerveja do dia.

Chegamos ao castelo quase no fim da tarde mas ainda à de tempo de passear por dentro dele por umas duas horas. A fortaleza foi construída no topo de um morro, onde se tem uma vista incrível de boa parte da cidade. Andamos um pouco pelo jardim e logo começamos o sobe e desce pelas ruínas e torres que começaram a surgir no século XI, quando Lisboa era uma cidade portuária muçulmana, sendo conquistada depois pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

Antes de voltarmos para o hostel ainda paramos na Praça do Comércio, ou Terreiro do Paço, que fica na baixa de Lisboa. Uma das maiores praças da Europa, segundo a Wikipédia, e que foi local do palácio dos reis de Portugal. Fizemos algumas poses em frente ao Arco do Triunfo, na passagem para a rua Algusta, e com a estátua de D. José I, já com a noite caindo. Depois de um bom banho, fechamos a noite descansando as pernas nos confortáveis sofás do albegue, comendo nossos sanduíches de queijo acompanhado por um bom vinho portuga.

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Passeio por vilas e balneários

Maio 25, 2008 · 3 Comentários

Por Dubes Sônego

Fechamos nossa estada na Madeira com dois dias de passeios de carro, com o Rodrigo e a Malu. No primeiro dia, o sol mostrou a cara e atravessamos a serra que divide a ilha. Visitamos diversas vilas da região oeste, almoçamos e tomamos banho no balneário de Porto Moniz. Foi um passeio para apreciar a vista sensacional dos penhascos, que brotam do mar, das pequenas vilas, incrustadas em pequenos vales, e das praias de areia escura e água transparente. No dia seguinte, tivemos menos sorte a fizemos boa parte do passeio sob ameaça de chuva, seguindo mais uma vez para o oeste, mas sem atravessar a serra – um guia local nos disse que o lado oeste da ilha vale mais a pena que o leste.


Um dos destaques, no segundo dia, foi o balneário da Calheta, dono de uma história curiosa. Conta-se que as areias claras que fazem a fama do local foram trazidas do deserto do Saara. Só que os idealizadores do balneário esqueceram que no Saara existem escorpiões e a nova praia teve que ser interditada no dia da inauguração. A solução final foi peneirar tudo, colocar de volta e organizar um novo evento.

Outro lugar que nos chamou a atenção foi o Jardim do Mar, um pequeno vilarejo, cheio de ruelas estreitas, da largura de calçadas, onde tivemos que pedir informações de uma moradora para encontrar o caminho de volta para o carro, estacionado na praça central.

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Teleférico, jardim botânico e visita ao cassino

Maio 25, 2008 · 2 Comentários

Na manhã seguinte, nosso quarto dia em Funchal, subimos o morro de teleférico e visitamos a igreja da Nossa Senhora do Monte, onde está a tumba do último imperador da Áustria, Carlos I, que morreu exilado na ilha, em 1922. A vista que se têm da cidade na subida é muito bonita, mas não nos sentimos muito confortáveis no vagão de seis lugares, pendurado por apenas um cabo de aço. Lá em cima, além da igreja, nos chamou atenção a cambada de malacos que vive de descer turistas morro abaixo, em trenós de madeira, de dois lugares, escorregando. No arranque, os dois condutores puxam o trenó por cordas e, em seguida, se posicionam na parte de trás para direcionar o veículo com o pé em que não estão apoiados – os sapatos que usam têm solas de borracha de uns três ou quatro centímetros de espessura. O preço: 25 euros, por cabeça. E a gringarada toda, em especial os mais velhos, pagam. Fiquei sabendo pelo Rodrigo, depois, que a profissão é bem remunerada para os padrões da ilha.


Voltamos para casa, pegamos a Malu e nos mandamos para outro morro, dessa vez de carro, conhecer o jardim botânico de Funchal. Lugar bonito, vista bonita da cidade. Nos lembrou o Brasil, pela variedade e exuberância das plantas. Cactos, flores grandes e coloridas, orquídeas, bromélias e uma ampla variedade de árvores frutíferas.

À noite, dei um pulo no Diário de Notícias, onde o Rodrigo trabalha, para conhecer o jornal e ver a gravação do programa que ele se meteu a fazer na rádio local, que pertence ao mesmo grupo de comunicação. O cara foi contratado para tocar a reforma gráfica do diário, mas, puto de não encontrar nenhum bar que toque rock and roll, passou a levar igualmente a sério a idéia de catequizar a juventude local com guitarras distorcidas.

O fechamento atrasou. Mas, ainda assim, passada a meia-noite, fomos todos tentar a sorte no cassino da ilha, uma espelunca barulhenta e carregada de fumaça de cigarro, que funciona num hotel de luxo próximo do centro da cidade. Cansada, a Erika não jogou. Eu perdi 5 euros na roleta, mas o Rodrigo e a Malu tiveram melhor sorte no caça níqueis. Ele ganhou uns 50 e tantos centavos, ela levou para casa mais de 30 euros.

Curral das freiras e o futebol local


O Curral das Freiras (curral é vale, no português de lá) foi a atração seguinte do nosso roteiro, já em nosso quinto dia de Ilha da Madeira. Fundado por religiosas ainda nos tempos em que os ataques de piratas à ilha amedrontavam a população local, o lugar é hoje um pequeno vilarejo, incrustado no meio de um vale com montanhas de mais de mil metros de altura. Já não existe convento ou qualquer edificação que lembre as freiras. A graça do passeio é percorrer as sinuosas e estreitas estradas à beira de penhascos observando a vista. Logo acima da vila, há um mirante, de onde é possível avistar o mar, em dias de céu claro. Depois de apreciarmos a paisagem lá do alto, descemos em direção à vila e almoçamos uma das especialidades locais: sanduíche de bolo do caco, um X-Salada que, ao invés de hambúrguer, é feito com um bife macio e um pão redondo e achatado, com uns dois dedos de espessura e uma casca que parece a de massa de pizza. Na verdade, neste dia, ao invés do bife, comemos um bolo do caco com filé de peixe espada, outra especialidade local.

Do curral, fomos direto assistir a uma partida de futebol entre Os Belenenses, de Lisboa, e O Nacional, um dos dois times locais que integram a primeira divisão do campeonato português, com ingressos que o Rodrigo nos arrumou. O primeiro tempo foi uma tremenda pelada, mas o jogo melhorou um pouco no segundo tempo e terminou 2 a 1, para o time visitante.

Melhor que a partida, em si, foi conhecer algumas das histórias sobre o futebol da ilha. O estádio do Nacional, onde assistimos à partida, por exemplo, foi construído no alto de uma morreba, que deve ter pelo menos uns 800 metros de altitude. Só que, incautos, os responsáveis pelo projeto, concluído no final do ano passado, esqueceram de levar em conta a alta incidência de neblina no local. Em função disso, é comum jogos serem interrompidos por falta de visibilidade.

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Em ritmo de praia

Maio 25, 2008 · Deixe um comentário

Havia bem mais coisas para se fazer em Funchal, mas resolvemos entrar no ritmo tranqüilo da ilha e aproveitar melhor um número menor de atrações, sem correria.

A primeira delas foi a praia Formosa, próxima do centro de Funchal. Fomos com a Malu, de ônibus, na tarde do dia seguinte ao da nossa chegada. Calçadão à beira mar, com uns poucos bares, dois hotéis próximos do costão, casas lá em cima, na beira dos penhascos que cercam a orla. Descemos em direção as pedras escuras e grandes, do tamanho de ovos de avestruz, que por lá fazem às vezes da areia branca à que estamos acostumados no Brasil, e nos sentamos um pouco para apreciar a vista e lagartear ao sol. Não havia muitos banhistas, talvez por ser uma quarta-feira, talvez por ser ainda primavera e a água ser fria pacas na ilha. Mesmo assim, dei dois breves mergulhos e voltei para terra firme. Entrei devagar, por causa das ondas, que quebravam fortes na beirada, jogando pedras menores contra minhas canelas. E, quando sai, fui beber uma cerveja Coral, marca local, acompanhada de tremoços – o aperitivo costuma vir como cortesia –, num dos botecos do calçadão. Depois de tomarem um pouco mais de sol, a Erika e a Malu se juntaram a mim.

Tentamos atravessar o túnel escavado no costão leste da praia, que atravessa uma caverna, com saída para o mar. Mas o local estava fechado. Algumas semanas antes de chegarmos, uma tempestade causou fortes estragos em diversas partes da Ilha da Madeira. Fomos embora por uma das escadarias que se apóiam nas encostas de pedras e passam entre casas e prédios empoleirados na beirada dos penhascos, já no alto.

No caminho de volta para o centro de Funchal, percorremos o calçadão do Lido, onde ficam hotéis de luxo, freqüentados principalmente por ingleses e alemães, e dois dos diversos balneários públicos da Madeira, que têm piscinas de água do mar, construídas à beira dos costões. Mas, infelizmente, apenas um dos balneários estava aberto, e já havia esfriado demais para mais um mergulho.

Mercado público e cidade velha

Acordamos cedo no dia seguinte e começamos o dia com uma visita ao mercado municipal, que, a julgar pelos preços salgados dos produtos e pela quantidade de barraquinhas de souvenires, hoje vive mais de vendas para turistas do que de fornecer para os residentes de Funchal. Ainda assim, valeu a visita. O mercadão tem duas grandes alas, uma delas com dois andares e um pátio central aberto, onde se vendem de frutas, flores e vinhos a souvenires, carnes e embutidos. A outra ala, nos fundos, reúne pescadores que vendem todos os tipos de frutos do mar capturados na costa local. As barracas de frutas têm diversas frutas exóticas, como a pêra-melão, que, como o vendedor me explicou, no melhor estilo cartesiano dos lusitanos, tem gosto de pêra e de melão.

Saímos pelos fundos do mercadão e exploramos o centro antigo de Funchal, um labirinto de ruelas formadas por pequenos sobrados, colados uns nos outros, muitos deles caindo aos pedaços. Aqui e ali, um restaurante, uma loja pequena ou uma agência de turismo. A arquitetura muito semelhante à de cidades históricas brasileiras como Laguna e Parati. Janelões e portas de madeira, dispostos simetricamente, batentes de pedra, telhas de barro, beiral de não mais que um palmo. Não nos impressionamos muito.

Acabamos gostando mais do que chamam de centro novo. Mas que, de novo, mesmo, deve ter só asfalto e luz elétrica. Ao invés de casas, a maior parte das edificações são prédios de dois, três ou quatro andares. As calçadas e calçadões são de mosaico português. Como é o centro comercial da cidade, a região é mais bem conservada e tem também menos pinta de arapuca de turista. À tarde, a Malu passeou conosco pela área toda e nos levou para provar o Vinho da Madeira, especialidade da ilha, bebida como aperitivo. O troço ou é muito doce, ou tem gosto de Bentônico Fontoura. Gostamos mais da poncha.

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Poncha na Ilha da Madeira

Maio 16, 2008 · 3 Comentários

Por Erika Araújo

Deixamos a cinzenta capital inglesa, num vôo barato (onde se paga até pela água dentro do avião), e desembarcamos na Ilha da Madeira, em Portugal, com a temperatura por volta dos 25 graus e céu limpo. Apesar da quase feira livre que rolou no avião durante as três horas e meia de viagem, por conta da criançada, converseira, e oferta dos produtos da Duty Free, e os bancos que me fizeram lebrar meus tempos de ônibus intermunicipais de Guarulhos a Itaquera, foi um vôo tranqüilo, sem turbulências. Pra sorte de quem morre de medo de voar, caso da boneca aqui… A passagem pela imigração não demorou mais que cinco minutos e no fim o pedido de desculpas do oficial pela demora, “é que os passaportes de vocês não tem código eletrônico, eu tive que digitar todos os dados. Boas férias”.

No saguão do aeroporto, assim que atravessamos a cortina dos tradicionais motoristas segurando plaquinhas com nomes, ouvimos atrás de nós a voz familiar do Rodrigo nos chamando, nos sentimos em casa na hora e o caminho do aeroporto para a casa dele e da Malu por sí já foi um passeio. Da estradinha estreita, cheia de subidas e descidas, que vez por outra atravessava montanhas por túneis, do meu lado direito a vista era para o mar. Do esquerdo, as casas espalhadas pelos morros, algumas quase perdidas cercadas pela vegetação da ilha, enchiam os olhos.

Deixamos a bagagem no cantinho que a Malu reserva aos hospedes e saímos para almoçar num restaurante conhecido deles. De lá, rumamos para o parque Santa Catarina, onde paramos pra tirar as primeiras fotos. Passeamos um pouco pelo centro da cidade, demos uma caminhada no calçadão à beira mar, e aproveitamos o final da tarde experimentando a popular poncha. Quase uma caipirinha portuguesa. Mel, sumo de maracujá e aguardnte de cana-de-açúcar. Uma delícia.

O dia foi cheio e o Rodrigo sairia cedo para trabalhar no dia seguinte, terminamos a noite baixando as fotos do dia, ligando pra família e colocando o papo em dia com os nossos anfitriões.

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O centro antigo, o British Museum e a National Gallery

Maio 15, 2008 · Deixe um comentário

Depois de três dias em Londres, ainda não conhecíamos direito o centro antigo da cidade. Tiramos o quarto dia para caminhar pela área e visitar o British Museum, onde os ingleses guardam boa parte do patrimônio histórico que surrupiaram de outros países; a National Gallery, que reúne pinturas datadas de 1250 em diante; e o que mais fosse possível.

O British Museum foi nossa primeira parada. A entrada é gratuita. Como a Erika tem curiosidade pelo Egito antigo, começamos pela área dedicada às grandes esculturas em pedra, múmias e pedras com hieróglifos, no piso térreo. Em seguida, encontramos, em salas próximas, artefatos de povos da Mesopotâmia, da costa do mediterrâneo e da Grécia, em particular.

Antes de uma breve pausa para o almoço, no pátio do museu, ainda vimos uma exposição com cerca de 150 gravuras de artistas americanos da primeira metade do século XX. Entre os artistas em exposição, estavam alguns relativamente conhecidos no Brasil, como Edward Hopper e Alexander Calder, o sujeito que inventou o móbile – como escultura dinâmica, não como peça de decoração de quarto de criança.
Seguimos depois, a pé, em direção à Trafalgar Square, criada em comemoração a vitória britânica em uma das mais importantes batalhas navais travadas pela Inglaterra contra a França de Napoleão, em 1805. A Larissa nos contou que o local é um dos principais centros de manifestações políticas na cidade. E é também o pátio da National Gallery, onde nos limitamos a ver as seções dedicadas ao Impressionismo, onde estão quadros de Claude Monet, Edgar Degas, Pierre-Auguste Renoir, Edouard Manet, Camille Pissaro e Paul Cezánne; e ao pós-Impressionismo de Vincent van Gogh, Paul Gauguin, Edvard Munch e Paul Klee. Como a National Portrait Gallery fica do lado e também não cobra nada de entrada, demos um pulo lá pra ver os retratos de celebridades britânicas, desde a rinha Elisabeth e do primeiro ministro Winston Churchill, até o músico e cantor David Bowie e a modelo Kate Moss.

Pra terminar o dia, procuramos um pub indicado no guia de viagem, de 1600 e lá vai pedrada. Mas o lugar só abria de segunda à sexta-feira, e ficamos pendurados na brocha. Voltamos para casa, dividimos macarronada e cervejas com nossos anfitriões e dormimos relativamente cedo, lá pela meia noite.

No dia seguinte, nosso último dia livre na cidade, fomos de metrô até a periferia de Londres visitar o museu da força aérea britânica, a Royal Air force (RAF). Para quem gosta de história da Segunda Guerra Mundial, ou de história da aviação, é um programa sensacional. Eles têm exemplares de aviões de caça como o P-51 Mustang, estadunidense; o Messerschmitt Me 262, um dos primeiros turbo-jatos da história da aviação, alemão; e o Spitfire, o mais famoso caça inglês da Segunda Guerra Mundial. Depois de quase quatro horas de visita, saí de lá satisfeito e, a Erika, profundamente entediada.

Como ainda tínhamos algum tempo, voltamos para o centro para matar mais algum tempo na Trafalgar Square e sentir melhor o clima da cidade, visitamos o St. James Park e dividimos um tradicional fish and chips, com chope, num pub próximo do suntuoso prédio da suprema corte de justiça britânica.

De volta pra casa, nos despedimos, no jantar, do Randal e da Larissa, e encontramos a Jussara, amiga de Blumenau, que mora em Londres há uns cinco anos e que eu não via há um pouco mais que isso. Cochilamos um pouco e acordamos de madrugada. Pegamos o ônibus de dois andares, lotado de trabalhadores, a maioria com cara de imigrantes latinos, africanos e árabes, por volta das 4h da manhã. E, em outra pernada a caminho do ônibus que faz a linha centro aeroporto de Stansted, avistamos a última atração turística londrina de nossa viagem, o Palácio de Buckingham. Por volta da 7h, fizemos nosso check-in do vôo Londres – Funchal, e, às 8h, embarcamos para a Ilha da Madeira.

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Camden Town, rock e a cena eletrônica alternativa

Maio 13, 2008 · Deixe um comentário

Por Dubes Sônego

A noitada no dia anterior e a adaptação ao novo fuso horário nos deixaram meio baqueados e só conseguimos sair da cama lá pelas duas da tarde. Comemos alguma coisa e fomos com a Larissa conhecer Camden Town, o maior e mais popular mercado a céu aberto da cidade, localizado na região norte.

Na verdade, Camden Town não é um mercado só, mas vários mercados vizinhos, que têm em comum preços relativamente baixos e artigos para todos os gostos. É mais ou menos como se colocassem, lado a lado, na Barra Funda, em São Paulo, a Galeria do Rock, o Mercado Mundo Mix, as feiras do vão livre do MASP, da Benedito Calixto, do Bexiga, da Liberdade e da Praça da República. Desde 1972, quando três empresários decidiram alugar antigos galpões industriais e transformá-los em um centro comercial, a região agrega lojas de discos, roupas, antiguidades, colecionáveis, peças de design, jóias, bijuterias, artesanato e acessórios de moda, entre outras coisas, além de pequenos restaurantes especializados em comidas de diversos países. E atrai todo tipo de gente, de punks a turistas endinheirados.

Rodamos por diversos corredores observando o movimento, entramos em algumas lojas mais bizarras, como a Cyberdog, especializada em roupas pretensamente futuristas, e sentamos na praça central do mercado, já no final da tarde, pra tomar um chope. Como a Larissa nos disse, no final do dia, muitos dos pequenos restaurantes e das barracas de comida, em especial as asiáticos, baixaram o preço dos pratos no cardápio, de um punhado para apenas uma libra. Mas preferimos comer os sanduíches e batatas fritas que trouxemos de casa.

No início da noite, ameaçou chover pela segunda vez e nos separamos da Larissa para visitar um bar de rock que ela nos apresentou mais cedo, à tarde, nas proximidades do mercado. A seção de música da revista Time Out não indicava nenhum show do gênero na cidade, naquela noite – dizem que os melhores shows de rock, em Londres, acontecem de segunda à quinta-feira, e era sábado –, mas queríamos escutar música ao vivo e o Barfly nos pareceu uma pedida bastante razoável. Pagamos sais libras cada pra entrar, tomamos uns três canecos de chope lá dentro e assistimos dois dos três shows da noite, antes de nos mandarmos. Nada digno de nota.

Saímos do bar a tempo de pegar o metrô, que fecha à meia noite, e fomos encontrar a Larissa e o Randal num bar de música eletrônica e arte de vanguarda, em outro canto da cidade. Demos uma de manés e nos perdemos por uma meia hora, antes de encontramos o lugar lotado – acho que o nome era Foundry. Cortamos caminho entre as pessoas e descemos as escadas, em direção ao porão, a procura dos dois. No caminho, passamos por uma parede de monitores velhos, empilhados, mostrando a mesma animação gráfica, e cruzamos com um dos organizadores da festa da noite, com um balde, recolhendo moedas de doação. No porão, encontramos a Larissa, dançando com mais uma galera, em cima de um chão giratório, animadaça. E o Randal de canto, só observando e rindo. No fundo da sala, o DJ botando som e uma projeção de imagens. Ajudei a rodar um pouco o chão, a Erika dançou por dois minutos, mas chegamos cansados, já no final da noite. E fomos pra casa dormir, sem acompanhar nossos anfitriões, que se mandaram para uma festa rave.

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Primeira incursão londrina

Maio 10, 2008 · Deixe um comentário

Por Dubes Sônego

Londres é uma das cidades mais caras do mundo, mas não no que diz respeito a opções de lazer cultural. Os grandes museus da cidade são quase todos gratuitos e reúnem acervos que levam dias para ser visitados. Restritos a um roteiro de cinco dias, resolvemos pesquisar antes na internet as atrações que mais nos interessavam em alguns deles e nos concentrar nelas. No final da viagem, conseguimos fazer quase tudo o que planejamos.
Cansados pelo vôo, passamos o final de nosso primeiro dia com a Larissa e o Randal, nossos anfitriões. Comemos, bebemos, jogamos conversa-fora e, na manhã seguinte, depois de uma noite descente de descanso, por volta das 8h, começamos nossa visita pela Tower Bridge. A edificação é uma ponte basculante, construída no século XIX, famosa por duas imponentes torres e por passarelas elevadas, para o tráfego de pedestres, hoje desativadas. Cruzamos o Tâmisa sobre a ponte, acompanhamos por alguns instantes o vai-e-vem dos barcos, observamos os prédios às margens do rio e tivemos nossa primeira impressão da cidade.
De volta à margem norte, fomos à Torre de Londres (London Tower), onde estão guardadas as jóias da coroa inglesa. Mas não entramos. A rainha certamente precisa menos que nós das 26 libras cobradas pela visita ao prédio fortificado, erguido em 1078. Cientes de outras atrações gratuitas, nos contentamos com a vista externa e seguimos em direção à St. Paul’s Cathedral, que fica no centro da região mais antiga da cidade, conhecida como The City – tão antiga que foi usada como entreposto comercial romano. A catedral, erguida pela igreja anglicana no século XVII, nos chamou a atenção pelo tamanho, principalmente do domo central. Mas a visita interna também era paga, 10 libras por cabeça, e deixamos pra lá.

Do lado de fora, comemos uns sanduíches que levamos e fizemos fotos nas tradicionais cabines telefônicas vermelhas, que, segundo nosso guia de viagem, estão com os dias contados, assim como os ônibus de dois andares – o motivo é que são de difícil acesso a pessoas com necessidades especiais. E, de barriga cheia, seguimos para a Tate Modern, do outro lado do rio, pela passarela de pedestres que dá direto na frente do antigo prédio da Riverbank Power Station, onde funciona o museu, desde 2000.
A Tate Modern foi uma das atrações londrinas das quais mais gostamos. Chegamos com um pé atrás, porque achamos uma tremenda picaretagem a maior parte das obras da coleção do museu, expostas na Oca, em São Paulo, há alguns anos. Uma delas, um copo de água numa prateleira, colocada bem no alto, na parede, foi batizada “O carvalho”. Mas nos surpreendemos com o acervo de seções dedicadas a movimentos mais tradicionais, como o surrealismo, o abstracionismo expressionista do período pós-guerras, o cubismo e o construtivismo. A loja do museu e o prédio, com sete andares e um vão livre mais parecido com o de um estaleiro, são atrações à parte. E gratuitas.

Ainda tivemos fôlego para seguir pela margem sul do rio, passando pela London Eye, até um pouco depois do prédio do parlamento inglês. Atravessamos o Tâmisa mais uma vez, para ver de perto o Big Ben, e tomamos o metrô de volta para casa.
À noite, saímos para uma noitada no The Castle, um dos poucos Pubs com licença para vender bebida 24 horas, na região central da cidade. O som estava por conta da Larissa e de outra brasileira, que costuma discotecar no bar, aos finais de semana. Voltamos para casa lá pelas quatro da manhã, com uns chopes na cabeça, e dormimos satisfeitos com nossa primeira incursão.

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Sob as saias da rainha

Maio 8, 2008 · Deixe um comentário

Por Erika Araújo e Dubes Sônego

O vôo de Toronto a Londres durou sete horas e meia. Somando-se a escala rápida em Montreal, chegamos a quase nove horas sentados no desconfortável banco da classe econômica que nos levaria a primeira cidade do nosso roteiro na Europa. Depois da passagem rápida no banheiro do aeroporto para disfarçar a cara amassada da noite não dormida fomos direto para a fila da imigração. Pegamos a que informava “resto do mundo, incluindo cidadãos dos EUA”. Chegada a nossa vez, as perguntas básicas do agente vinham seguidas de caras e bocas de exclamação e desprezo pelas respostas, como já tínhamos ouvido falar que aconteceria. Algumas perguntas nos soaram filosóficas: de onde vínhamos, para onde iríamos? Outras, mundanas: quanto dinheiro trazíamos, se estávamos empregados, qual nosso estado civil. E havia também as perguntas arapuca, repetidas mais de uma vez, entre uma pergunta inofensiva e outra: por que passaríamos um ano e meio no exterior, quando foi a última vez que trabalhamos no Brasil. Respondemos tudo e a agente nos pediu que esperássemos sentados enquanto ligava para a Larissa, nossa anfitriã na Inglaterra, e desapareceu por uns cinco ou dez minutos. Voltou quando já tínhamos decidido viajar pela América Latina caso nos mandassem de volta pra casa. Perguntei se ela havia conseguido falar com a Larissa e ela disse que não. Enquanto carimbava nossos passaportes, eu pensava no vôo cansativo de volta para o Brasil, que teríamos pela frente… Mas, para nossa surpresa, ela nos entregou nossos documentos, nos desejou boa diversão e indicou a porta de saída para o saguão. Encontramos nossas bolsas largadas no chão, já fora das esteiras. Colocamos a casa nas costas e nos mandamos pro centro, em tempo para o chá das 5h.

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