Pela Europa de mochila

Camden Town, rock e a cena eletrônica alternativa

Maio 13, 2008 · Deixe um comentário

Por Dubes Sônego

A noitada no dia anterior e a adaptação ao novo fuso horário nos deixaram meio baqueados e só conseguimos sair da cama lá pelas duas da tarde. Comemos alguma coisa e fomos com a Larissa conhecer Camden Town, o maior e mais popular mercado a céu aberto da cidade, localizado na região norte.

Na verdade, Camden Town não é um mercado só, mas vários mercados vizinhos, que têm em comum preços relativamente baixos e artigos para todos os gostos. É mais ou menos como se colocassem, lado a lado, na Barra Funda, em São Paulo, a Galeria do Rock, o Mercado Mundo Mix, as feiras do vão livre do MASP, da Benedito Calixto, do Bexiga, da Liberdade e da Praça da República. Desde 1972, quando três empresários decidiram alugar antigos galpões industriais e transformá-los em um centro comercial, a região agrega lojas de discos, roupas, antiguidades, colecionáveis, peças de design, jóias, bijuterias, artesanato e acessórios de moda, entre outras coisas, além de pequenos restaurantes especializados em comidas de diversos países. E atrai todo tipo de gente, de punks a turistas endinheirados.

Rodamos por diversos corredores observando o movimento, entramos em algumas lojas mais bizarras, como a Cyberdog, especializada em roupas pretensamente futuristas, e sentamos na praça central do mercado, já no final da tarde, pra tomar um chope. Como a Larissa nos disse, no final do dia, muitos dos pequenos restaurantes e das barracas de comida, em especial as asiáticos, baixaram o preço dos pratos no cardápio, de um punhado para apenas uma libra. Mas preferimos comer os sanduíches e batatas fritas que trouxemos de casa.

No início da noite, ameaçou chover pela segunda vez e nos separamos da Larissa para visitar um bar de rock que ela nos apresentou mais cedo, à tarde, nas proximidades do mercado. A seção de música da revista Time Out não indicava nenhum show do gênero na cidade, naquela noite – dizem que os melhores shows de rock, em Londres, acontecem de segunda à quinta-feira, e era sábado –, mas queríamos escutar música ao vivo e o Barfly nos pareceu uma pedida bastante razoável. Pagamos sais libras cada pra entrar, tomamos uns três canecos de chope lá dentro e assistimos dois dos três shows da noite, antes de nos mandarmos. Nada digno de nota.

Saímos do bar a tempo de pegar o metrô, que fecha à meia noite, e fomos encontrar a Larissa e o Randal num bar de música eletrônica e arte de vanguarda, em outro canto da cidade. Demos uma de manés e nos perdemos por uma meia hora, antes de encontramos o lugar lotado – acho que o nome era Foundry. Cortamos caminho entre as pessoas e descemos as escadas, em direção ao porão, a procura dos dois. No caminho, passamos por uma parede de monitores velhos, empilhados, mostrando a mesma animação gráfica, e cruzamos com um dos organizadores da festa da noite, com um balde, recolhendo moedas de doação. No porão, encontramos a Larissa, dançando com mais uma galera, em cima de um chão giratório, animadaça. E o Randal de canto, só observando e rindo. No fundo da sala, o DJ botando som e uma projeção de imagens. Ajudei a rodar um pouco o chão, a Erika dançou por dois minutos, mas chegamos cansados, já no final da noite. E fomos pra casa dormir, sem acompanhar nossos anfitriões, que se mandaram para uma festa rave.

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