
Havia bem mais coisas para se fazer em Funchal, mas resolvemos entrar no ritmo tranqüilo da ilha e aproveitar melhor um número menor de atrações, sem correria.
A primeira delas foi a praia Formosa, próxima do centro de Funchal. Fomos com a Malu, de ônibus, na tarde do dia seguinte ao da nossa chegada. Calçadão à beira mar, com uns poucos bares, dois hotéis próximos do costão, casas lá em cima, na beira dos penhascos que cercam a orla. Descemos em direção as pedras escuras e grandes, do tamanho de ovos de avestruz, que por lá fazem às vezes da areia branca à que estamos acostumados no Brasil, e nos sentamos um pouco para apreciar a vista e lagartear ao sol. Não havia muitos banhistas, talvez por ser uma quarta-feira, talvez por ser ainda primavera e a água ser fria pacas na ilha. Mesmo assim, dei dois breves mergulhos e voltei para terra firme. Entrei devagar, por causa das ondas, que quebravam fortes na beirada, jogando pedras menores contra minhas canelas. E, quando sai, fui beber uma cerveja Coral, marca local, acompanhada de tremoços – o aperitivo costuma vir como cortesia –, num dos botecos do calçadão. Depois de tomarem um pouco mais de sol, a Erika e a Malu se juntaram a mim.

Tentamos atravessar o túnel escavado no costão leste da praia, que atravessa uma caverna, com saída para o mar. Mas o local estava fechado. Algumas semanas antes de chegarmos, uma tempestade causou fortes estragos em diversas partes da Ilha da Madeira. Fomos embora por uma das escadarias que se apóiam nas encostas de pedras e passam entre casas e prédios empoleirados na beirada dos penhascos, já no alto.
No caminho de volta para o centro de Funchal, percorremos o calçadão do Lido, onde ficam hotéis de luxo, freqüentados principalmente por ingleses e alemães, e dois dos diversos balneários públicos da Madeira, que têm piscinas de água do mar, construídas à beira dos costões. Mas, infelizmente, apenas um dos balneários estava aberto, e já havia esfriado demais para mais um mergulho.
Mercado público e cidade velha
Acordamos cedo no dia seguinte e começamos o dia com uma visita ao mercado municipal, que, a julgar pelos preços salgados dos produtos e pela quantidade de barraquinhas de souvenires, hoje vive mais de vendas para turistas do que de fornecer para os residentes de Funchal. Ainda assim, valeu a visita. O mercadão tem duas grandes alas, uma delas com dois andares e um pátio central aberto, onde se vendem de frutas, flores e vinhos a souvenires, carnes e embutidos. A outra ala, nos fundos, reúne pescadores que vendem todos os tipos de frutos do mar capturados na costa local. As barracas de frutas têm diversas frutas exóticas, como a pêra-melão, que, como o vendedor me explicou, no melhor estilo cartesiano dos lusitanos, tem gosto de pêra e de melão.

Saímos pelos fundos do mercadão e exploramos o centro antigo de Funchal, um labirinto de ruelas formadas por pequenos sobrados, colados uns nos outros, muitos deles caindo aos pedaços. Aqui e ali, um restaurante, uma loja pequena ou uma agência de turismo. A arquitetura muito semelhante à de cidades históricas brasileiras como Laguna e Parati. Janelões e portas de madeira, dispostos simetricamente, batentes de pedra, telhas de barro, beiral de não mais que um palmo. Não nos impressionamos muito.
Acabamos gostando mais do que chamam de centro novo. Mas que, de novo, mesmo, deve ter só asfalto e luz elétrica. Ao invés de casas, a maior parte das edificações são prédios de dois, três ou quatro andares. As calçadas e calçadões são de mosaico português. Como é o centro comercial da cidade, a região é mais bem conservada e tem também menos pinta de arapuca de turista. À tarde, a Malu passeou conosco pela área toda e nos levou para provar o Vinho da Madeira, especialidade da ilha, bebida como aperitivo. O troço ou é muito doce, ou tem gosto de Bentônico Fontoura. Gostamos mais da poncha.
