Pela Europa de mochila

Passeio por vilas e balneários

Maio 25, 2008 · 3 Comentários

Por Dubes Sônego

Fechamos nossa estada na Madeira com dois dias de passeios de carro, com o Rodrigo e a Malu. No primeiro dia, o sol mostrou a cara e atravessamos a serra que divide a ilha. Visitamos diversas vilas da região oeste, almoçamos e tomamos banho no balneário de Porto Moniz. Foi um passeio para apreciar a vista sensacional dos penhascos, que brotam do mar, das pequenas vilas, incrustadas em pequenos vales, e das praias de areia escura e água transparente. No dia seguinte, tivemos menos sorte a fizemos boa parte do passeio sob ameaça de chuva, seguindo mais uma vez para o oeste, mas sem atravessar a serra – um guia local nos disse que o lado oeste da ilha vale mais a pena que o leste.


Um dos destaques, no segundo dia, foi o balneário da Calheta, dono de uma história curiosa. Conta-se que as areias claras que fazem a fama do local foram trazidas do deserto do Saara. Só que os idealizadores do balneário esqueceram que no Saara existem escorpiões e a nova praia teve que ser interditada no dia da inauguração. A solução final foi peneirar tudo, colocar de volta e organizar um novo evento.

Outro lugar que nos chamou a atenção foi o Jardim do Mar, um pequeno vilarejo, cheio de ruelas estreitas, da largura de calçadas, onde tivemos que pedir informações de uma moradora para encontrar o caminho de volta para o carro, estacionado na praça central.

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Teleférico, jardim botânico e visita ao cassino

Maio 25, 2008 · 2 Comentários

Na manhã seguinte, nosso quarto dia em Funchal, subimos o morro de teleférico e visitamos a igreja da Nossa Senhora do Monte, onde está a tumba do último imperador da Áustria, Carlos I, que morreu exilado na ilha, em 1922. A vista que se têm da cidade na subida é muito bonita, mas não nos sentimos muito confortáveis no vagão de seis lugares, pendurado por apenas um cabo de aço. Lá em cima, além da igreja, nos chamou atenção a cambada de malacos que vive de descer turistas morro abaixo, em trenós de madeira, de dois lugares, escorregando. No arranque, os dois condutores puxam o trenó por cordas e, em seguida, se posicionam na parte de trás para direcionar o veículo com o pé em que não estão apoiados – os sapatos que usam têm solas de borracha de uns três ou quatro centímetros de espessura. O preço: 25 euros, por cabeça. E a gringarada toda, em especial os mais velhos, pagam. Fiquei sabendo pelo Rodrigo, depois, que a profissão é bem remunerada para os padrões da ilha.


Voltamos para casa, pegamos a Malu e nos mandamos para outro morro, dessa vez de carro, conhecer o jardim botânico de Funchal. Lugar bonito, vista bonita da cidade. Nos lembrou o Brasil, pela variedade e exuberância das plantas. Cactos, flores grandes e coloridas, orquídeas, bromélias e uma ampla variedade de árvores frutíferas.

À noite, dei um pulo no Diário de Notícias, onde o Rodrigo trabalha, para conhecer o jornal e ver a gravação do programa que ele se meteu a fazer na rádio local, que pertence ao mesmo grupo de comunicação. O cara foi contratado para tocar a reforma gráfica do diário, mas, puto de não encontrar nenhum bar que toque rock and roll, passou a levar igualmente a sério a idéia de catequizar a juventude local com guitarras distorcidas.

O fechamento atrasou. Mas, ainda assim, passada a meia-noite, fomos todos tentar a sorte no cassino da ilha, uma espelunca barulhenta e carregada de fumaça de cigarro, que funciona num hotel de luxo próximo do centro da cidade. Cansada, a Erika não jogou. Eu perdi 5 euros na roleta, mas o Rodrigo e a Malu tiveram melhor sorte no caça níqueis. Ele ganhou uns 50 e tantos centavos, ela levou para casa mais de 30 euros.

Curral das freiras e o futebol local


O Curral das Freiras (curral é vale, no português de lá) foi a atração seguinte do nosso roteiro, já em nosso quinto dia de Ilha da Madeira. Fundado por religiosas ainda nos tempos em que os ataques de piratas à ilha amedrontavam a população local, o lugar é hoje um pequeno vilarejo, incrustado no meio de um vale com montanhas de mais de mil metros de altura. Já não existe convento ou qualquer edificação que lembre as freiras. A graça do passeio é percorrer as sinuosas e estreitas estradas à beira de penhascos observando a vista. Logo acima da vila, há um mirante, de onde é possível avistar o mar, em dias de céu claro. Depois de apreciarmos a paisagem lá do alto, descemos em direção à vila e almoçamos uma das especialidades locais: sanduíche de bolo do caco, um X-Salada que, ao invés de hambúrguer, é feito com um bife macio e um pão redondo e achatado, com uns dois dedos de espessura e uma casca que parece a de massa de pizza. Na verdade, neste dia, ao invés do bife, comemos um bolo do caco com filé de peixe espada, outra especialidade local.

Do curral, fomos direto assistir a uma partida de futebol entre Os Belenenses, de Lisboa, e O Nacional, um dos dois times locais que integram a primeira divisão do campeonato português, com ingressos que o Rodrigo nos arrumou. O primeiro tempo foi uma tremenda pelada, mas o jogo melhorou um pouco no segundo tempo e terminou 2 a 1, para o time visitante.

Melhor que a partida, em si, foi conhecer algumas das histórias sobre o futebol da ilha. O estádio do Nacional, onde assistimos à partida, por exemplo, foi construído no alto de uma morreba, que deve ter pelo menos uns 800 metros de altitude. Só que, incautos, os responsáveis pelo projeto, concluído no final do ano passado, esqueceram de levar em conta a alta incidência de neblina no local. Em função disso, é comum jogos serem interrompidos por falta de visibilidade.

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Em ritmo de praia

Maio 25, 2008 · Deixe um comentário

Havia bem mais coisas para se fazer em Funchal, mas resolvemos entrar no ritmo tranqüilo da ilha e aproveitar melhor um número menor de atrações, sem correria.

A primeira delas foi a praia Formosa, próxima do centro de Funchal. Fomos com a Malu, de ônibus, na tarde do dia seguinte ao da nossa chegada. Calçadão à beira mar, com uns poucos bares, dois hotéis próximos do costão, casas lá em cima, na beira dos penhascos que cercam a orla. Descemos em direção as pedras escuras e grandes, do tamanho de ovos de avestruz, que por lá fazem às vezes da areia branca à que estamos acostumados no Brasil, e nos sentamos um pouco para apreciar a vista e lagartear ao sol. Não havia muitos banhistas, talvez por ser uma quarta-feira, talvez por ser ainda primavera e a água ser fria pacas na ilha. Mesmo assim, dei dois breves mergulhos e voltei para terra firme. Entrei devagar, por causa das ondas, que quebravam fortes na beirada, jogando pedras menores contra minhas canelas. E, quando sai, fui beber uma cerveja Coral, marca local, acompanhada de tremoços – o aperitivo costuma vir como cortesia –, num dos botecos do calçadão. Depois de tomarem um pouco mais de sol, a Erika e a Malu se juntaram a mim.

Tentamos atravessar o túnel escavado no costão leste da praia, que atravessa uma caverna, com saída para o mar. Mas o local estava fechado. Algumas semanas antes de chegarmos, uma tempestade causou fortes estragos em diversas partes da Ilha da Madeira. Fomos embora por uma das escadarias que se apóiam nas encostas de pedras e passam entre casas e prédios empoleirados na beirada dos penhascos, já no alto.

No caminho de volta para o centro de Funchal, percorremos o calçadão do Lido, onde ficam hotéis de luxo, freqüentados principalmente por ingleses e alemães, e dois dos diversos balneários públicos da Madeira, que têm piscinas de água do mar, construídas à beira dos costões. Mas, infelizmente, apenas um dos balneários estava aberto, e já havia esfriado demais para mais um mergulho.

Mercado público e cidade velha

Acordamos cedo no dia seguinte e começamos o dia com uma visita ao mercado municipal, que, a julgar pelos preços salgados dos produtos e pela quantidade de barraquinhas de souvenires, hoje vive mais de vendas para turistas do que de fornecer para os residentes de Funchal. Ainda assim, valeu a visita. O mercadão tem duas grandes alas, uma delas com dois andares e um pátio central aberto, onde se vendem de frutas, flores e vinhos a souvenires, carnes e embutidos. A outra ala, nos fundos, reúne pescadores que vendem todos os tipos de frutos do mar capturados na costa local. As barracas de frutas têm diversas frutas exóticas, como a pêra-melão, que, como o vendedor me explicou, no melhor estilo cartesiano dos lusitanos, tem gosto de pêra e de melão.

Saímos pelos fundos do mercadão e exploramos o centro antigo de Funchal, um labirinto de ruelas formadas por pequenos sobrados, colados uns nos outros, muitos deles caindo aos pedaços. Aqui e ali, um restaurante, uma loja pequena ou uma agência de turismo. A arquitetura muito semelhante à de cidades históricas brasileiras como Laguna e Parati. Janelões e portas de madeira, dispostos simetricamente, batentes de pedra, telhas de barro, beiral de não mais que um palmo. Não nos impressionamos muito.

Acabamos gostando mais do que chamam de centro novo. Mas que, de novo, mesmo, deve ter só asfalto e luz elétrica. Ao invés de casas, a maior parte das edificações são prédios de dois, três ou quatro andares. As calçadas e calçadões são de mosaico português. Como é o centro comercial da cidade, a região é mais bem conservada e tem também menos pinta de arapuca de turista. À tarde, a Malu passeou conosco pela área toda e nos levou para provar o Vinho da Madeira, especialidade da ilha, bebida como aperitivo. O troço ou é muito doce, ou tem gosto de Bentônico Fontoura. Gostamos mais da poncha.

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