Pela Europa de mochila

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Bocetos de Picasso

Outubro 18, 2009 · Deixe um comentário

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Bastou uma olhada pela janela, naquela rápida ida ao banheiro entre uma noite bem dormida e a última visita aos lençóis. O céu nublado e a garoa tornaram mais fácil descartarmos uma das opções de vadiagem para nosso último dia em Madrid, a de visitar o Parque del Buen Retiro. Depois de um café da manhã sem pressa, fomos conhecer dois dos principais museus madrilenos, o Reina Sofia e o Del Prado. Nosso único receio em relação a essa programação eram as filas. Aos domingos, os dois museus têm entrada franca e costumam lotar. Pra nossa sorte, não foi o caso, e passamos algumas boas horas apreciando Mirós, Dalís e “bocetos de Picasso”.


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O Reina Sofia foi um dos museus que mais gostamos em toda a viagem. Nele estão expostas coleções extensas de artistas espanhóis como Picasso, que reúnem não só quadros famosos já acabados, mas também esboços e obras em outros suportes, que ajudam a entender e desmistificar seus processos de criação. Ali se encontram vários “bocetos” (rascunhos) de personagens que depois iriam ser usados em Guernica, que também pertence ao acervo do Reina Sofia.

Concentramos nossa visita no segundo piso do museu, onde há salas dedicadas a Salvador Dalí, ao surrealismo e a revolução causada por ele dentro do movimento surrealista; a Juan Gris e “a reordenação do olhar moderno”; a Juan Miró, sua “pintura e antipintura”; à ”modernidade e a vanguarda da arte dos anos 30” e “a ruptura cubista do espaço”. Além de temas com nomes ainda mais pomposos e conteúdo de primeira. Pedantismo à parte, realmente coisa fina.

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Do Reina Sofia, caminhamos em direção ao Del Prado, com uma parada no caminho, para provar a paella espanhola. Só que a fome era muita e nos faltou paciência para procurar um restaurante especializado. Acabamos comendo algo ligeiramente melhor que um PF de arroz com camarões e lulas. O que, pensando bem, deve ser mesmo a legítima paella espanhola pra quem “no tiene plata”, é durango. A lula, pelo menos, estava macia. E o vinho da casa saiu barato.

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O museu Del Prado reúne obras mais antigas que o Reina Sofia. Não é tanto a nossa praia, mas tem alguns quadros bem interessantes, como O Jardim das Delícias, do Hieronymus Bosch (Sec.XV), cheio de gente pelada, em um ambiente onírico, quase um Woodstock. No final das contas, valeu fácil a visita. Principalmente por ter sido de graça.

De lá, voltamos para casa para jantar, bater o último papo com nossos anfitriões, Jr e Juli, e reunir as tralhas para pegar um dos últimos metrôs para o aeroporto, por volta da meia noite. Esperaríamos acordados até às 6h30min da manhã, tentando dormir no chão frio de Baraja. Um dos nossos principais erros na viagem…

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Em algum lugar de La Mancha…

Dezembro 14, 2008 · Deixe um comentário

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De Madrid a Toledo, de ônibus, a viagem dura cerca de uma hora e meia. Existe a opção de ir de trem, mas a freqüência é menor, o preço é mais alto e a estação fica mais longe que a rodoviária, do centro antigo. Pagamos 16 euros cada um, pela ida e pela volta, e nos mandamos.

Cartaz com a imagem e o nome de procurados do ETA, na rodoviária de Toledo.

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Da rodoviária de Toledo até a cidade antiga são cerca de dez minutos de caminhada. Sobe-se uma ladeira leve, três ou quatro ruelas mais e se chega à praça central, onde existe, certamente, a maior concentração de lojas de armaduras, espadas e tabuleiros de jogo de xadrez da Europa. Descobri, depois, que, já nos tempos do império Romano, a região de La Mancha era famosa pela qualidade das espadas que produzia. Hoje, só pode ser a globalização, vendem até espada de samurai. Tremenda picaretagem.

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Fora o comércio de quinquilharias exóticas, a arquitetura de Toledo é um excelente exemplo de quão claustrofóbicas e caóticas deviam ser as cidades nos tempos medievais. Dentro da fortaleza do castelo, existem prédios e mais prédios, colados uns nos outros, formando um labirinto de ruas estreitas, que, vez ou outra, terminam em praças, igrejas, mesquitas e sinagogas. Imagino aquilo tudo sem saneamento básico, as ruas apinhadas de gente, merda de cavalo, de boi e de outros animais pra tudo que era lado. Devia ser uma catinga dos diabos, sob um sol de lascar, com pouco vento pra aliviar a barra. Hoje, o lugar é limpinho, bonito e cheiroso, a comida é sensacional, e os espanhóis enchem as burras com os turistas.

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A cidade tem, de fato, atrativos de sobra para justificar a visita. Construída em 192 A.C. pelos Romanos, sobre as ruínas de uma antiga vila, Toledo foi uma importante cidade dos reinos visigodo e mouro, antes de cair sob o domínio do Rei Afonso VI, em 1085, que a transformou num centro de tolerância religiosa, abrigando pacificamente cristãos, judeus e muçulmanos. No século XIII, a mistura de culturas faria dela um dos principais centros culturais europeus, responsável pela tradução de textos clássicos árabes, judeus e gregos. Já por volta do século XV, durante o reinado de Carlos I, o primeiro a reunir os reinos de Aragão e Castela, seria capital do reino espanhol, status que manteve até 1563, quando Madrid passou a ser a sede do império. Mesmo preterida pela realeza, a região de Toledo seria escolhida por Miguel de Cervantes como ponto de partida para o personagem principal do livro Don Quixote, Don Quixote de la Mancha, maior clássico da literatura espanhola, publicado em 1605. Outro grande nome das artes, o pintor, escultor e arquiteto El Greco (Domenico Theotocópulo), um dos principais expoentes da renascença espanhola, viveu e trabalhou a maior parte de sua vida na cidade, onde morreu, em 1614.

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Já nos daríamos por satisfeitos com tudo isso. Mas foi lá, ainda, que encontramos as melhores azeitonas do mundo. Não sei se já falei aqui neste post, mas é tradição na Espanha os bares oferecerem junto com a bebida algo para comer. Você pede uma cerveja e recebe junto, sem pagar mais por isso, um prato com aperitivos. Quanto mais se bebe, mais farta é a porção, que pode ser de azeitonas, queijos, pasteizinhos e outros acepipes.

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No mais, outra coisa que nos chamou a atenção na cidade foi descobrir que ela é hoje um dos destinos preferidos de casais espanhóis, na hora da troca de alianças. No pouco tempo que passamos em Toledo, vimos três festas de casamento acontecendo nas igrejas locais. Na última, tinha até “paella” rolando, do lado de fora, com champanhe em copo plástico.

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Já quase escurecendo, nos mandamos pra rodoviária, com planos de jantar em casa, tomar um banho e sair pra uma noitada. Mas, chegando em casa, já lá pelas 10h da noite, depois de uma boa macarronada, ninguém teve mais muito pique pra nada. Ficamos em casa, para descansar e aproveitar direito o dia seguinte.

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Madrid de santos, “tapas” e “birras”

Agosto 11, 2008 · Deixe um comentário


Chegamos a Madrid empolgados com a possibilidade de conhecer a noite rock’n’rol da cidade, com o Júnior e a Juli, nossos anfitriões. Mas, o que fizemos, no final das contas, foi ir à festa de San Isidro, padroeiro da cidade; visitar museus, o Reina Sofia e o El Prado; e igrejas, como a Catedral de Nuestra Señora de la Almudena. O mais perto que chegamos do roteiro inicial programado para a cidade foi beber cerveja com “tapas”, os aperitivos que servem junto com a bebida, nos bares locais. Nem sequer cogitada em nossas pesquisas sobre o que fazer na Espanha, a visita a Toledo, cidade de Dom Quixote de La Mancha, uma hora de ônibus distante de Madrid, acabou sendo o ponto alto de nossa passagem pelo País.

O dia de nossa chegada foi um dia morto. Saímos relativamente cedo de Lisboa, mas o aeroporto de Barajas é bem maior e fica bem mais distante do centro da cidade do que imaginávamos. De metrô, levamos mais de uma hora para cobrir o trajeto, com baldeações e caminhadas estafantes pelos longos corredores que ligam uma linha a outra. Encontramos o Júnior numa estação próxima ao trabalho dele e acabamos o dia em casa, checando e-mails, atualizando o blog e bebendo cervejas Mahou, vendidas em garrafas de um litro. Marca boa e barata, 1,10 euro, no mercadinho chinês da esquina.

Na tarde seguinte, fizemos uma visita ao centro, guiados pelo Júnior. Os prédios mais antigos são bonitos, mas depois de passarmos por Lisboa, com seu centro antigo qualhado de prédios azulejados do rodapé ao telhado, a arquitetura madrilenha não comoveu tanto. De qualquer forma, foi legal passar pela Gran Via, a Avenida Paulista local, pelo Palácio Real, com 2800 quatros (não quisemos pagar para entrar); pela Catedral de Nuestra Señora de la Almudena, que fica ao lado; e pelos Jardins de Ferraz, onde está o templo de Debod, presente do governo egípcio aos espanhóis.

À noite, acompanhados também pela Juli, ligamos para o Dudu, amigo jornalista que está estagiando no El País, e fomos os cinco dar uma olhada na festa de San Isidro, padroeiro da cidade, que acontece no parque de São Isidro, bem próximo da casa do Junior e da Juli. Uma das mais tradicionais da cidade, a festa é uma quermesse gigantesca, com direito a parque de diversões, shows de rock, música distorcida pelos alto-falantes, gurizada aprendendo a beber atrás de menininhas, menininhas atrás da gurizada aprendendo a beber, tiro ao alvo e bingo. Demos uma caminhada pela festa, tomamos umas cervejas, deixamos o Dudu no ponto de ônibus e fomos todos dormir, decididos a visitar Toledo no dia seguinte.

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Lisboa, pros lados de Belém

Junho 20, 2008 · 1 Comentário

Por Erika Araújo

O mercado público foi o primeiro lugar pelo qual passamos na manhã do nosso segundo dia em Lisboa. Mas uma vez, foi inevitável a comparação com São Paulo. Achamos o nosso muito mais bonito. O deles é mais como um galpão grande, sem muito fru-fru, mas não deixa de ter o seu charme. No andar de baixo, frutas, verduras, peixes, temperos, artesanato e um corredor todo só para flores. No segundo, uma livraria onde os livros estão dispostos em bancadas ao invés de prateleiras, restaurante e um corredor com fotos que contam a história do mercado, desde a época em que o comércio era feito na rua até a construção da edificação.

O Monumento aos Descobrimentos foi o nosso próximo destino. Para chegar até lá, pegamos um trem de superfície na frente do mercado e descemos quase na metade do caminho. O resto do trajeto fizemos a pé, margeando o rio Tejo ao lado de outros turistas, ciclistas e algumas pessoas se exercitando. Do outro lado do rio, vimos a estátua do Cristo Lisboeta, inspirado no nosso Cristo Redentor, que agradou ao Cardeal Patriarca de Lisboa, durante sua visita ao Rio de Janeiro, em 1934. A construção do monumento lisboeta foi iniciada em 1949, depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em cumprimento ao voto feito pelo Episcopado português, que se comprometeu a erguê-lo caso Portugal ficasse de fora do conflito. Do mesmo ponto de observação, a Ponte 25 de Abril, que liga Lisboa à Almada, nos chamou a atenção pela semelhança com a velha Hercílio Luz, de Florianópolis. Só que as proporções são muito maiores. Além de automóveis, a ponte portuguesa foi projetada, em 1960, para suportar também o tráfego de trens – inicialmente batizada Ponte Salazar, em homenagem ao ditador que comandou o País de 1932 a 1968, a ponte recebeu o nome atual após a Revolução dos Cravos, que derrubou o antigo regime militar, no dia 25 de Abril de 1974.

Enfim, chegamos ao monumento de mais de 50 metros de altura, em forma de caravela, que carrega os heróis dos descobrimentos portugueses. No interior, com quatro andares, são apresentados filmes e exposições sobre os descobrimentos de Portugal. O último andar serve como mirante e tem vista para o Rio Tejo. Não subimos, achamos caro os 5 euros cobrados pela visita. A fome também estava apertando e ainda passaríamos pela Torre de Belém antes de pararmos para o almoço.

A chegada à Torre de Belém foi decepcionante. Demos de cara com uma decoração mais que de mau gosto. Dezenas de bolas infláveis numa nada discreta cor de laranja, penduradas do lado de fora. Não interessa em comemoração a que. A decoração, para nós, foi o equivalente a um ato vandalismo. Pagamos só 1,5 euros para entrar, graças ao desconto de 50% para menores de 26 anos e a carteira de jornalista do Dubes. O passeio nos deu uma idéia de como funcionava a fortificação, inaugurada em 1520 e usada originalmente como peça central do sistema de defesa da barra do rio Tejo, de onde partiam as naus em direção as Índias e ao Novo Mundo. A subida ao topo, através de uma escada estreita em caracol, de pedra, cansa os fisicamente menos preparados. As paradas em cada andar, para ler um pouco sobre a história do lugar e para que foi usado cada pavimento, valem à pena.

A parada para o almoço foi adiada depois que passamos em frente ao Centro Cultural de Belém, onde funciona o Museu Colecção Berardo, de arte moderna e contemporânea. O prédio nos chamou a atenção pelas proporções e decidimos entrar. Logo de cara, vimos uma exposição do fotógrafo, pintor e escritor haitiano Gérald Bloncourt, chamada “Por uma vida melhor”, sobre a imigração portuguesa para a França, nas décadas de 1950 e 1960. Expulso de seu país de origem e exilado na Europa, Bloncourt colaborou com publicações da imprensa operária e progressista de Paris, como La Vie ouvrièri e L’Humanité, e cobriu a movimentação de quase um milhão de portugueses que deixaram Portugal, muitos deles a pé, em busca de uma vida melhor na periferia de grandes cidades francesas, nas duas décadas citadas. As casas de lata, onde as famílias se instalavam; as crianças com caras sujas e sofridas; e mulheres carregando latas de água são algumas das imagens que o fotógrafo capturou ao acompanhar o trajeto dessas famílias.

Visitamos depois seções do acervo do museu, que cobre toda sorte de movimentos artísticos do século passado, da picareta “Action Painting” aos populares cubismo, surrealismo e pop art. Compramos postais na loja do museu e seguimos para a Rua de Belém, bem próxima, onde estão a Confeitaria de Belém, famosa pelo tradicional e patenteado Pastel de Belém, e restaurantes pequenos que satisfazem por preços honestos. Um bom prato feito, com chope, sai por 6,50 euros. De barriga cheia e um pouco mais descansados enfrentamos a fila de quase meia hora para provar a receita original do tal pastel. Fresquinho e salpicado com açúcar e canela. Sensacional!

O pouco tempo que passaríamos em Lisboa nos obrigava a aproveitar cada hora na cidade. Passamos ainda no Mosteiro dos Jerônimos, que já estava fechado, mas ainda deu pra conhecer a catedral que pertence a ele.

Já de volta ao centro, na Praça do Comércio, sentamos para tomar um café no Martinho da Arcada, famoso por ter tido como freguês o escritor Fernando Pessoa, e fomos para o albergue, já no início da noite.

No dia seguinte pulamos da cama bem cedo para aproveitar o pouco tempo que tínhamos antes do check-out no albergue, ao meio dia. Andamos pelo Bairro Alto, visitamos o topo do Elevador de Santa Justa – que se parece muito com o Elevador Lacerda, de Salvador – e tentamos provar o vinho do porto no Solar do Vinho do Porto, mas acho que os portugueses não têm muito o hábito de beber antes das onze na manhã, horário em que passamos por lá e demos com a cara na porta de vidro fechada. Sem tempo para esperar, voltamos para pegar nossas coisas e ir para o aeroporto esperar o vôo para Madrid.

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Lisboa, ora pois!

Maio 27, 2008 · 2 Comentários

Por Erika Araújo

De Funchal partimos para Lisboa de manhã cedo, deu tempo do Rodrigo nos levar ao aeroporto antes de ir para o trabalho. Já estávamos na capital portuguesa antes do meio dia. Do aeroporto ao centro, onde nos hospedamos, o trajeto foi de uns 40 minutos usando transporte público, a 1,35 euros por pessoa. Saltamos do ônibus na Praça do Comércio e fomos direto para o nosso hostel na rua Algusta. Região onde o movimento de turistas é bem intenso e o de vendedores de haxixe também. Mal pisamos no cançadão e já fomos abordados por um senhor de terno azul marinho, risca de giz, corpo esquelético, cara bem decadente, que nos mostrou um punhado de bolinhas verdes e cochichou: haxixe? Uns dez metros depois foi a vez de um outro fulano: marijuana? Coke? Em plena luz do dia, sem muita descrição, entre os policiais fardados…

Fizemos o chek-in, acomodamos os quase 20 kilos que cada um carrega nas costas e saímos para almoçar. No primeiro restaurante que simpatizamos fomos recepcionados por um brasileiro paulista. Pedimos um dos pratos tradicionais que o rapaz sugeriu, bacalhau com natas. O peixe desfiado é preparado e servido num prato de barro, coberto com um creme que mistura queijo e creme de leite e vai depois ao forno. Uma delícia. Tomamos nossa primeira cerveja observando o movimento da rua e as fachadas da redondeza. O que nos fez pensar em alguns dos prédioas antigos que vemos no centro de São Paulo lá pelos lados da São Bento, Praça da Sé, 25 de março e por aí vai.

Orientados pelo nosso guia da Lonely Planet partimos em direção ao castelo de São Jorge num bondinho amarelo dos que aparecem em vários cartões da cidade. Nos distraímos e acabamos descendo no ponto final, uns três pontos depois do castelo. O que no fim das contas nos obrigou a conhecer um outro canto da cidade que não planejávamos. Conhecemos a Igreja da Graça, paramos para tirar umas fotos no mirante em frente e tomamos a segunda cerveja do dia.

Chegamos ao castelo quase no fim da tarde mas ainda à de tempo de passear por dentro dele por umas duas horas. A fortaleza foi construída no topo de um morro, onde se tem uma vista incrível de boa parte da cidade. Andamos um pouco pelo jardim e logo começamos o sobe e desce pelas ruínas e torres que começaram a surgir no século XI, quando Lisboa era uma cidade portuária muçulmana, sendo conquistada depois pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

Antes de voltarmos para o hostel ainda paramos na Praça do Comércio, ou Terreiro do Paço, que fica na baixa de Lisboa. Uma das maiores praças da Europa, segundo a Wikipédia, e que foi local do palácio dos reis de Portugal. Fizemos algumas poses em frente ao Arco do Triunfo, na passagem para a rua Algusta, e com a estátua de D. José I, já com a noite caindo. Depois de um bom banho, fechamos a noite descansando as pernas nos confortáveis sofás do albegue, comendo nossos sanduíches de queijo acompanhado por um bom vinho portuga.

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Passeio por vilas e balneários

Maio 25, 2008 · 3 Comentários

Por Dubes Sônego

Fechamos nossa estada na Madeira com dois dias de passeios de carro, com o Rodrigo e a Malu. No primeiro dia, o sol mostrou a cara e atravessamos a serra que divide a ilha. Visitamos diversas vilas da região oeste, almoçamos e tomamos banho no balneário de Porto Moniz. Foi um passeio para apreciar a vista sensacional dos penhascos, que brotam do mar, das pequenas vilas, incrustadas em pequenos vales, e das praias de areia escura e água transparente. No dia seguinte, tivemos menos sorte a fizemos boa parte do passeio sob ameaça de chuva, seguindo mais uma vez para o oeste, mas sem atravessar a serra – um guia local nos disse que o lado oeste da ilha vale mais a pena que o leste.


Um dos destaques, no segundo dia, foi o balneário da Calheta, dono de uma história curiosa. Conta-se que as areias claras que fazem a fama do local foram trazidas do deserto do Saara. Só que os idealizadores do balneário esqueceram que no Saara existem escorpiões e a nova praia teve que ser interditada no dia da inauguração. A solução final foi peneirar tudo, colocar de volta e organizar um novo evento.

Outro lugar que nos chamou a atenção foi o Jardim do Mar, um pequeno vilarejo, cheio de ruelas estreitas, da largura de calçadas, onde tivemos que pedir informações de uma moradora para encontrar o caminho de volta para o carro, estacionado na praça central.

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Teleférico, jardim botânico e visita ao cassino

Maio 25, 2008 · 2 Comentários

Na manhã seguinte, nosso quarto dia em Funchal, subimos o morro de teleférico e visitamos a igreja da Nossa Senhora do Monte, onde está a tumba do último imperador da Áustria, Carlos I, que morreu exilado na ilha, em 1922. A vista que se têm da cidade na subida é muito bonita, mas não nos sentimos muito confortáveis no vagão de seis lugares, pendurado por apenas um cabo de aço. Lá em cima, além da igreja, nos chamou atenção a cambada de malacos que vive de descer turistas morro abaixo, em trenós de madeira, de dois lugares, escorregando. No arranque, os dois condutores puxam o trenó por cordas e, em seguida, se posicionam na parte de trás para direcionar o veículo com o pé em que não estão apoiados – os sapatos que usam têm solas de borracha de uns três ou quatro centímetros de espessura. O preço: 25 euros, por cabeça. E a gringarada toda, em especial os mais velhos, pagam. Fiquei sabendo pelo Rodrigo, depois, que a profissão é bem remunerada para os padrões da ilha.


Voltamos para casa, pegamos a Malu e nos mandamos para outro morro, dessa vez de carro, conhecer o jardim botânico de Funchal. Lugar bonito, vista bonita da cidade. Nos lembrou o Brasil, pela variedade e exuberância das plantas. Cactos, flores grandes e coloridas, orquídeas, bromélias e uma ampla variedade de árvores frutíferas.

À noite, dei um pulo no Diário de Notícias, onde o Rodrigo trabalha, para conhecer o jornal e ver a gravação do programa que ele se meteu a fazer na rádio local, que pertence ao mesmo grupo de comunicação. O cara foi contratado para tocar a reforma gráfica do diário, mas, puto de não encontrar nenhum bar que toque rock and roll, passou a levar igualmente a sério a idéia de catequizar a juventude local com guitarras distorcidas.

O fechamento atrasou. Mas, ainda assim, passada a meia-noite, fomos todos tentar a sorte no cassino da ilha, uma espelunca barulhenta e carregada de fumaça de cigarro, que funciona num hotel de luxo próximo do centro da cidade. Cansada, a Erika não jogou. Eu perdi 5 euros na roleta, mas o Rodrigo e a Malu tiveram melhor sorte no caça níqueis. Ele ganhou uns 50 e tantos centavos, ela levou para casa mais de 30 euros.

Curral das freiras e o futebol local


O Curral das Freiras (curral é vale, no português de lá) foi a atração seguinte do nosso roteiro, já em nosso quinto dia de Ilha da Madeira. Fundado por religiosas ainda nos tempos em que os ataques de piratas à ilha amedrontavam a população local, o lugar é hoje um pequeno vilarejo, incrustado no meio de um vale com montanhas de mais de mil metros de altura. Já não existe convento ou qualquer edificação que lembre as freiras. A graça do passeio é percorrer as sinuosas e estreitas estradas à beira de penhascos observando a vista. Logo acima da vila, há um mirante, de onde é possível avistar o mar, em dias de céu claro. Depois de apreciarmos a paisagem lá do alto, descemos em direção à vila e almoçamos uma das especialidades locais: sanduíche de bolo do caco, um X-Salada que, ao invés de hambúrguer, é feito com um bife macio e um pão redondo e achatado, com uns dois dedos de espessura e uma casca que parece a de massa de pizza. Na verdade, neste dia, ao invés do bife, comemos um bolo do caco com filé de peixe espada, outra especialidade local.

Do curral, fomos direto assistir a uma partida de futebol entre Os Belenenses, de Lisboa, e O Nacional, um dos dois times locais que integram a primeira divisão do campeonato português, com ingressos que o Rodrigo nos arrumou. O primeiro tempo foi uma tremenda pelada, mas o jogo melhorou um pouco no segundo tempo e terminou 2 a 1, para o time visitante.

Melhor que a partida, em si, foi conhecer algumas das histórias sobre o futebol da ilha. O estádio do Nacional, onde assistimos à partida, por exemplo, foi construído no alto de uma morreba, que deve ter pelo menos uns 800 metros de altitude. Só que, incautos, os responsáveis pelo projeto, concluído no final do ano passado, esqueceram de levar em conta a alta incidência de neblina no local. Em função disso, é comum jogos serem interrompidos por falta de visibilidade.

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Em ritmo de praia

Maio 25, 2008 · Deixe um comentário

Havia bem mais coisas para se fazer em Funchal, mas resolvemos entrar no ritmo tranqüilo da ilha e aproveitar melhor um número menor de atrações, sem correria.

A primeira delas foi a praia Formosa, próxima do centro de Funchal. Fomos com a Malu, de ônibus, na tarde do dia seguinte ao da nossa chegada. Calçadão à beira mar, com uns poucos bares, dois hotéis próximos do costão, casas lá em cima, na beira dos penhascos que cercam a orla. Descemos em direção as pedras escuras e grandes, do tamanho de ovos de avestruz, que por lá fazem às vezes da areia branca à que estamos acostumados no Brasil, e nos sentamos um pouco para apreciar a vista e lagartear ao sol. Não havia muitos banhistas, talvez por ser uma quarta-feira, talvez por ser ainda primavera e a água ser fria pacas na ilha. Mesmo assim, dei dois breves mergulhos e voltei para terra firme. Entrei devagar, por causa das ondas, que quebravam fortes na beirada, jogando pedras menores contra minhas canelas. E, quando sai, fui beber uma cerveja Coral, marca local, acompanhada de tremoços – o aperitivo costuma vir como cortesia –, num dos botecos do calçadão. Depois de tomarem um pouco mais de sol, a Erika e a Malu se juntaram a mim.

Tentamos atravessar o túnel escavado no costão leste da praia, que atravessa uma caverna, com saída para o mar. Mas o local estava fechado. Algumas semanas antes de chegarmos, uma tempestade causou fortes estragos em diversas partes da Ilha da Madeira. Fomos embora por uma das escadarias que se apóiam nas encostas de pedras e passam entre casas e prédios empoleirados na beirada dos penhascos, já no alto.

No caminho de volta para o centro de Funchal, percorremos o calçadão do Lido, onde ficam hotéis de luxo, freqüentados principalmente por ingleses e alemães, e dois dos diversos balneários públicos da Madeira, que têm piscinas de água do mar, construídas à beira dos costões. Mas, infelizmente, apenas um dos balneários estava aberto, e já havia esfriado demais para mais um mergulho.

Mercado público e cidade velha

Acordamos cedo no dia seguinte e começamos o dia com uma visita ao mercado municipal, que, a julgar pelos preços salgados dos produtos e pela quantidade de barraquinhas de souvenires, hoje vive mais de vendas para turistas do que de fornecer para os residentes de Funchal. Ainda assim, valeu a visita. O mercadão tem duas grandes alas, uma delas com dois andares e um pátio central aberto, onde se vendem de frutas, flores e vinhos a souvenires, carnes e embutidos. A outra ala, nos fundos, reúne pescadores que vendem todos os tipos de frutos do mar capturados na costa local. As barracas de frutas têm diversas frutas exóticas, como a pêra-melão, que, como o vendedor me explicou, no melhor estilo cartesiano dos lusitanos, tem gosto de pêra e de melão.

Saímos pelos fundos do mercadão e exploramos o centro antigo de Funchal, um labirinto de ruelas formadas por pequenos sobrados, colados uns nos outros, muitos deles caindo aos pedaços. Aqui e ali, um restaurante, uma loja pequena ou uma agência de turismo. A arquitetura muito semelhante à de cidades históricas brasileiras como Laguna e Parati. Janelões e portas de madeira, dispostos simetricamente, batentes de pedra, telhas de barro, beiral de não mais que um palmo. Não nos impressionamos muito.

Acabamos gostando mais do que chamam de centro novo. Mas que, de novo, mesmo, deve ter só asfalto e luz elétrica. Ao invés de casas, a maior parte das edificações são prédios de dois, três ou quatro andares. As calçadas e calçadões são de mosaico português. Como é o centro comercial da cidade, a região é mais bem conservada e tem também menos pinta de arapuca de turista. À tarde, a Malu passeou conosco pela área toda e nos levou para provar o Vinho da Madeira, especialidade da ilha, bebida como aperitivo. O troço ou é muito doce, ou tem gosto de Bentônico Fontoura. Gostamos mais da poncha.

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Poncha na Ilha da Madeira

Maio 16, 2008 · 3 Comentários

Por Erika Araújo

Deixamos a cinzenta capital inglesa, num vôo barato (onde se paga até pela água dentro do avião), e desembarcamos na Ilha da Madeira, em Portugal, com a temperatura por volta dos 25 graus e céu limpo. Apesar da quase feira livre que rolou no avião durante as três horas e meia de viagem, por conta da criançada, converseira, e oferta dos produtos da Duty Free, e os bancos que me fizeram lebrar meus tempos de ônibus intermunicipais de Guarulhos a Itaquera, foi um vôo tranqüilo, sem turbulências. Pra sorte de quem morre de medo de voar, caso da boneca aqui… A passagem pela imigração não demorou mais que cinco minutos e no fim o pedido de desculpas do oficial pela demora, “é que os passaportes de vocês não tem código eletrônico, eu tive que digitar todos os dados. Boas férias”.

No saguão do aeroporto, assim que atravessamos a cortina dos tradicionais motoristas segurando plaquinhas com nomes, ouvimos atrás de nós a voz familiar do Rodrigo nos chamando, nos sentimos em casa na hora e o caminho do aeroporto para a casa dele e da Malu por sí já foi um passeio. Da estradinha estreita, cheia de subidas e descidas, que vez por outra atravessava montanhas por túneis, do meu lado direito a vista era para o mar. Do esquerdo, as casas espalhadas pelos morros, algumas quase perdidas cercadas pela vegetação da ilha, enchiam os olhos.

Deixamos a bagagem no cantinho que a Malu reserva aos hospedes e saímos para almoçar num restaurante conhecido deles. De lá, rumamos para o parque Santa Catarina, onde paramos pra tirar as primeiras fotos. Passeamos um pouco pelo centro da cidade, demos uma caminhada no calçadão à beira mar, e aproveitamos o final da tarde experimentando a popular poncha. Quase uma caipirinha portuguesa. Mel, sumo de maracujá e aguardnte de cana-de-açúcar. Uma delícia.

O dia foi cheio e o Rodrigo sairia cedo para trabalhar no dia seguinte, terminamos a noite baixando as fotos do dia, ligando pra família e colocando o papo em dia com os nossos anfitriões.

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O centro antigo, o British Museum e a National Gallery

Maio 15, 2008 · Deixe um comentário

Depois de três dias em Londres, ainda não conhecíamos direito o centro antigo da cidade. Tiramos o quarto dia para caminhar pela área e visitar o British Museum, onde os ingleses guardam boa parte do patrimônio histórico que surrupiaram de outros países; a National Gallery, que reúne pinturas datadas de 1250 em diante; e o que mais fosse possível.

O British Museum foi nossa primeira parada. A entrada é gratuita. Como a Erika tem curiosidade pelo Egito antigo, começamos pela área dedicada às grandes esculturas em pedra, múmias e pedras com hieróglifos, no piso térreo. Em seguida, encontramos, em salas próximas, artefatos de povos da Mesopotâmia, da costa do mediterrâneo e da Grécia, em particular.

Antes de uma breve pausa para o almoço, no pátio do museu, ainda vimos uma exposição com cerca de 150 gravuras de artistas americanos da primeira metade do século XX. Entre os artistas em exposição, estavam alguns relativamente conhecidos no Brasil, como Edward Hopper e Alexander Calder, o sujeito que inventou o móbile – como escultura dinâmica, não como peça de decoração de quarto de criança.
Seguimos depois, a pé, em direção à Trafalgar Square, criada em comemoração a vitória britânica em uma das mais importantes batalhas navais travadas pela Inglaterra contra a França de Napoleão, em 1805. A Larissa nos contou que o local é um dos principais centros de manifestações políticas na cidade. E é também o pátio da National Gallery, onde nos limitamos a ver as seções dedicadas ao Impressionismo, onde estão quadros de Claude Monet, Edgar Degas, Pierre-Auguste Renoir, Edouard Manet, Camille Pissaro e Paul Cezánne; e ao pós-Impressionismo de Vincent van Gogh, Paul Gauguin, Edvard Munch e Paul Klee. Como a National Portrait Gallery fica do lado e também não cobra nada de entrada, demos um pulo lá pra ver os retratos de celebridades britânicas, desde a rinha Elisabeth e do primeiro ministro Winston Churchill, até o músico e cantor David Bowie e a modelo Kate Moss.

Pra terminar o dia, procuramos um pub indicado no guia de viagem, de 1600 e lá vai pedrada. Mas o lugar só abria de segunda à sexta-feira, e ficamos pendurados na brocha. Voltamos para casa, dividimos macarronada e cervejas com nossos anfitriões e dormimos relativamente cedo, lá pela meia noite.

No dia seguinte, nosso último dia livre na cidade, fomos de metrô até a periferia de Londres visitar o museu da força aérea britânica, a Royal Air force (RAF). Para quem gosta de história da Segunda Guerra Mundial, ou de história da aviação, é um programa sensacional. Eles têm exemplares de aviões de caça como o P-51 Mustang, estadunidense; o Messerschmitt Me 262, um dos primeiros turbo-jatos da história da aviação, alemão; e o Spitfire, o mais famoso caça inglês da Segunda Guerra Mundial. Depois de quase quatro horas de visita, saí de lá satisfeito e, a Erika, profundamente entediada.

Como ainda tínhamos algum tempo, voltamos para o centro para matar mais algum tempo na Trafalgar Square e sentir melhor o clima da cidade, visitamos o St. James Park e dividimos um tradicional fish and chips, com chope, num pub próximo do suntuoso prédio da suprema corte de justiça britânica.

De volta pra casa, nos despedimos, no jantar, do Randal e da Larissa, e encontramos a Jussara, amiga de Blumenau, que mora em Londres há uns cinco anos e que eu não via há um pouco mais que isso. Cochilamos um pouco e acordamos de madrugada. Pegamos o ônibus de dois andares, lotado de trabalhadores, a maioria com cara de imigrantes latinos, africanos e árabes, por volta das 4h da manhã. E, em outra pernada a caminho do ônibus que faz a linha centro aeroporto de Stansted, avistamos a última atração turística londrina de nossa viagem, o Palácio de Buckingham. Por volta da 7h, fizemos nosso check-in do vôo Londres – Funchal, e, às 8h, embarcamos para a Ilha da Madeira.

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