Pela Europa de mochila

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Bocetos de Picasso

Outubro 18, 2009 · Deixe um comentário

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Bastou uma olhada pela janela, naquela rápida ida ao banheiro entre uma noite bem dormida e a última visita aos lençóis. O céu nublado e a garoa tornaram mais fácil descartarmos uma das opções de vadiagem para nosso último dia em Madrid, a de visitar o Parque del Buen Retiro. Depois de um café da manhã sem pressa, fomos conhecer dois dos principais museus madrilenos, o Reina Sofia e o Del Prado. Nosso único receio em relação a essa programação eram as filas. Aos domingos, os dois museus têm entrada franca e costumam lotar. Pra nossa sorte, não foi o caso, e passamos algumas boas horas apreciando Mirós, Dalís e “bocetos de Picasso”.


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O Reina Sofia foi um dos museus que mais gostamos em toda a viagem. Nele estão expostas coleções extensas de artistas espanhóis como Picasso, que reúnem não só quadros famosos já acabados, mas também esboços e obras em outros suportes, que ajudam a entender e desmistificar seus processos de criação. Ali se encontram vários “bocetos” (rascunhos) de personagens que depois iriam ser usados em Guernica, que também pertence ao acervo do Reina Sofia.

Concentramos nossa visita no segundo piso do museu, onde há salas dedicadas a Salvador Dalí, ao surrealismo e a revolução causada por ele dentro do movimento surrealista; a Juan Gris e “a reordenação do olhar moderno”; a Juan Miró, sua “pintura e antipintura”; à ”modernidade e a vanguarda da arte dos anos 30” e “a ruptura cubista do espaço”. Além de temas com nomes ainda mais pomposos e conteúdo de primeira. Pedantismo à parte, realmente coisa fina.

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Do Reina Sofia, caminhamos em direção ao Del Prado, com uma parada no caminho, para provar a paella espanhola. Só que a fome era muita e nos faltou paciência para procurar um restaurante especializado. Acabamos comendo algo ligeiramente melhor que um PF de arroz com camarões e lulas. O que, pensando bem, deve ser mesmo a legítima paella espanhola pra quem “no tiene plata”, é durango. A lula, pelo menos, estava macia. E o vinho da casa saiu barato.

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O museu Del Prado reúne obras mais antigas que o Reina Sofia. Não é tanto a nossa praia, mas tem alguns quadros bem interessantes, como O Jardim das Delícias, do Hieronymus Bosch (Sec.XV), cheio de gente pelada, em um ambiente onírico, quase um Woodstock. No final das contas, valeu fácil a visita. Principalmente por ter sido de graça.

De lá, voltamos para casa para jantar, bater o último papo com nossos anfitriões, Jr e Juli, e reunir as tralhas para pegar um dos últimos metrôs para o aeroporto, por volta da meia noite. Esperaríamos acordados até às 6h30min da manhã, tentando dormir no chão frio de Baraja. Um dos nossos principais erros na viagem…

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Em algum lugar de La Mancha…

Dezembro 14, 2008 · Deixe um comentário

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De Madrid a Toledo, de ônibus, a viagem dura cerca de uma hora e meia. Existe a opção de ir de trem, mas a freqüência é menor, o preço é mais alto e a estação fica mais longe que a rodoviária, do centro antigo. Pagamos 16 euros cada um, pela ida e pela volta, e nos mandamos.

Cartaz com a imagem e o nome de procurados do ETA, na rodoviária de Toledo.

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Da rodoviária de Toledo até a cidade antiga são cerca de dez minutos de caminhada. Sobe-se uma ladeira leve, três ou quatro ruelas mais e se chega à praça central, onde existe, certamente, a maior concentração de lojas de armaduras, espadas e tabuleiros de jogo de xadrez da Europa. Descobri, depois, que, já nos tempos do império Romano, a região de La Mancha era famosa pela qualidade das espadas que produzia. Hoje, só pode ser a globalização, vendem até espada de samurai. Tremenda picaretagem.

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Fora o comércio de quinquilharias exóticas, a arquitetura de Toledo é um excelente exemplo de quão claustrofóbicas e caóticas deviam ser as cidades nos tempos medievais. Dentro da fortaleza do castelo, existem prédios e mais prédios, colados uns nos outros, formando um labirinto de ruas estreitas, que, vez ou outra, terminam em praças, igrejas, mesquitas e sinagogas. Imagino aquilo tudo sem saneamento básico, as ruas apinhadas de gente, merda de cavalo, de boi e de outros animais pra tudo que era lado. Devia ser uma catinga dos diabos, sob um sol de lascar, com pouco vento pra aliviar a barra. Hoje, o lugar é limpinho, bonito e cheiroso, a comida é sensacional, e os espanhóis enchem as burras com os turistas.

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A cidade tem, de fato, atrativos de sobra para justificar a visita. Construída em 192 A.C. pelos Romanos, sobre as ruínas de uma antiga vila, Toledo foi uma importante cidade dos reinos visigodo e mouro, antes de cair sob o domínio do Rei Afonso VI, em 1085, que a transformou num centro de tolerância religiosa, abrigando pacificamente cristãos, judeus e muçulmanos. No século XIII, a mistura de culturas faria dela um dos principais centros culturais europeus, responsável pela tradução de textos clássicos árabes, judeus e gregos. Já por volta do século XV, durante o reinado de Carlos I, o primeiro a reunir os reinos de Aragão e Castela, seria capital do reino espanhol, status que manteve até 1563, quando Madrid passou a ser a sede do império. Mesmo preterida pela realeza, a região de Toledo seria escolhida por Miguel de Cervantes como ponto de partida para o personagem principal do livro Don Quixote, Don Quixote de la Mancha, maior clássico da literatura espanhola, publicado em 1605. Outro grande nome das artes, o pintor, escultor e arquiteto El Greco (Domenico Theotocópulo), um dos principais expoentes da renascença espanhola, viveu e trabalhou a maior parte de sua vida na cidade, onde morreu, em 1614.

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Já nos daríamos por satisfeitos com tudo isso. Mas foi lá, ainda, que encontramos as melhores azeitonas do mundo. Não sei se já falei aqui neste post, mas é tradição na Espanha os bares oferecerem junto com a bebida algo para comer. Você pede uma cerveja e recebe junto, sem pagar mais por isso, um prato com aperitivos. Quanto mais se bebe, mais farta é a porção, que pode ser de azeitonas, queijos, pasteizinhos e outros acepipes.

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No mais, outra coisa que nos chamou a atenção na cidade foi descobrir que ela é hoje um dos destinos preferidos de casais espanhóis, na hora da troca de alianças. No pouco tempo que passamos em Toledo, vimos três festas de casamento acontecendo nas igrejas locais. Na última, tinha até “paella” rolando, do lado de fora, com champanhe em copo plástico.

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Já quase escurecendo, nos mandamos pra rodoviária, com planos de jantar em casa, tomar um banho e sair pra uma noitada. Mas, chegando em casa, já lá pelas 10h da noite, depois de uma boa macarronada, ninguém teve mais muito pique pra nada. Ficamos em casa, para descansar e aproveitar direito o dia seguinte.

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Madrid de santos, “tapas” e “birras”

Agosto 11, 2008 · Deixe um comentário


Chegamos a Madrid empolgados com a possibilidade de conhecer a noite rock’n’rol da cidade, com o Júnior e a Juli, nossos anfitriões. Mas, o que fizemos, no final das contas, foi ir à festa de San Isidro, padroeiro da cidade; visitar museus, o Reina Sofia e o El Prado; e igrejas, como a Catedral de Nuestra Señora de la Almudena. O mais perto que chegamos do roteiro inicial programado para a cidade foi beber cerveja com “tapas”, os aperitivos que servem junto com a bebida, nos bares locais. Nem sequer cogitada em nossas pesquisas sobre o que fazer na Espanha, a visita a Toledo, cidade de Dom Quixote de La Mancha, uma hora de ônibus distante de Madrid, acabou sendo o ponto alto de nossa passagem pelo País.

O dia de nossa chegada foi um dia morto. Saímos relativamente cedo de Lisboa, mas o aeroporto de Barajas é bem maior e fica bem mais distante do centro da cidade do que imaginávamos. De metrô, levamos mais de uma hora para cobrir o trajeto, com baldeações e caminhadas estafantes pelos longos corredores que ligam uma linha a outra. Encontramos o Júnior numa estação próxima ao trabalho dele e acabamos o dia em casa, checando e-mails, atualizando o blog e bebendo cervejas Mahou, vendidas em garrafas de um litro. Marca boa e barata, 1,10 euro, no mercadinho chinês da esquina.

Na tarde seguinte, fizemos uma visita ao centro, guiados pelo Júnior. Os prédios mais antigos são bonitos, mas depois de passarmos por Lisboa, com seu centro antigo qualhado de prédios azulejados do rodapé ao telhado, a arquitetura madrilenha não comoveu tanto. De qualquer forma, foi legal passar pela Gran Via, a Avenida Paulista local, pelo Palácio Real, com 2800 quatros (não quisemos pagar para entrar); pela Catedral de Nuestra Señora de la Almudena, que fica ao lado; e pelos Jardins de Ferraz, onde está o templo de Debod, presente do governo egípcio aos espanhóis.

À noite, acompanhados também pela Juli, ligamos para o Dudu, amigo jornalista que está estagiando no El País, e fomos os cinco dar uma olhada na festa de San Isidro, padroeiro da cidade, que acontece no parque de São Isidro, bem próximo da casa do Junior e da Juli. Uma das mais tradicionais da cidade, a festa é uma quermesse gigantesca, com direito a parque de diversões, shows de rock, música distorcida pelos alto-falantes, gurizada aprendendo a beber atrás de menininhas, menininhas atrás da gurizada aprendendo a beber, tiro ao alvo e bingo. Demos uma caminhada pela festa, tomamos umas cervejas, deixamos o Dudu no ponto de ônibus e fomos todos dormir, decididos a visitar Toledo no dia seguinte.

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