Pela Europa de mochila

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Teleférico, jardim botânico e visita ao cassino

Maio 25, 2008 · 2 Comentários

Na manhã seguinte, nosso quarto dia em Funchal, subimos o morro de teleférico e visitamos a igreja da Nossa Senhora do Monte, onde está a tumba do último imperador da Áustria, Carlos I, que morreu exilado na ilha, em 1922. A vista que se têm da cidade na subida é muito bonita, mas não nos sentimos muito confortáveis no vagão de seis lugares, pendurado por apenas um cabo de aço. Lá em cima, além da igreja, nos chamou atenção a cambada de malacos que vive de descer turistas morro abaixo, em trenós de madeira, de dois lugares, escorregando. No arranque, os dois condutores puxam o trenó por cordas e, em seguida, se posicionam na parte de trás para direcionar o veículo com o pé em que não estão apoiados – os sapatos que usam têm solas de borracha de uns três ou quatro centímetros de espessura. O preço: 25 euros, por cabeça. E a gringarada toda, em especial os mais velhos, pagam. Fiquei sabendo pelo Rodrigo, depois, que a profissão é bem remunerada para os padrões da ilha.


Voltamos para casa, pegamos a Malu e nos mandamos para outro morro, dessa vez de carro, conhecer o jardim botânico de Funchal. Lugar bonito, vista bonita da cidade. Nos lembrou o Brasil, pela variedade e exuberância das plantas. Cactos, flores grandes e coloridas, orquídeas, bromélias e uma ampla variedade de árvores frutíferas.

À noite, dei um pulo no Diário de Notícias, onde o Rodrigo trabalha, para conhecer o jornal e ver a gravação do programa que ele se meteu a fazer na rádio local, que pertence ao mesmo grupo de comunicação. O cara foi contratado para tocar a reforma gráfica do diário, mas, puto de não encontrar nenhum bar que toque rock and roll, passou a levar igualmente a sério a idéia de catequizar a juventude local com guitarras distorcidas.

O fechamento atrasou. Mas, ainda assim, passada a meia-noite, fomos todos tentar a sorte no cassino da ilha, uma espelunca barulhenta e carregada de fumaça de cigarro, que funciona num hotel de luxo próximo do centro da cidade. Cansada, a Erika não jogou. Eu perdi 5 euros na roleta, mas o Rodrigo e a Malu tiveram melhor sorte no caça níqueis. Ele ganhou uns 50 e tantos centavos, ela levou para casa mais de 30 euros.

Curral das freiras e o futebol local


O Curral das Freiras (curral é vale, no português de lá) foi a atração seguinte do nosso roteiro, já em nosso quinto dia de Ilha da Madeira. Fundado por religiosas ainda nos tempos em que os ataques de piratas à ilha amedrontavam a população local, o lugar é hoje um pequeno vilarejo, incrustado no meio de um vale com montanhas de mais de mil metros de altura. Já não existe convento ou qualquer edificação que lembre as freiras. A graça do passeio é percorrer as sinuosas e estreitas estradas à beira de penhascos observando a vista. Logo acima da vila, há um mirante, de onde é possível avistar o mar, em dias de céu claro. Depois de apreciarmos a paisagem lá do alto, descemos em direção à vila e almoçamos uma das especialidades locais: sanduíche de bolo do caco, um X-Salada que, ao invés de hambúrguer, é feito com um bife macio e um pão redondo e achatado, com uns dois dedos de espessura e uma casca que parece a de massa de pizza. Na verdade, neste dia, ao invés do bife, comemos um bolo do caco com filé de peixe espada, outra especialidade local.

Do curral, fomos direto assistir a uma partida de futebol entre Os Belenenses, de Lisboa, e O Nacional, um dos dois times locais que integram a primeira divisão do campeonato português, com ingressos que o Rodrigo nos arrumou. O primeiro tempo foi uma tremenda pelada, mas o jogo melhorou um pouco no segundo tempo e terminou 2 a 1, para o time visitante.

Melhor que a partida, em si, foi conhecer algumas das histórias sobre o futebol da ilha. O estádio do Nacional, onde assistimos à partida, por exemplo, foi construído no alto de uma morreba, que deve ter pelo menos uns 800 metros de altitude. Só que, incautos, os responsáveis pelo projeto, concluído no final do ano passado, esqueceram de levar em conta a alta incidência de neblina no local. Em função disso, é comum jogos serem interrompidos por falta de visibilidade.

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Poncha na Ilha da Madeira

Maio 16, 2008 · 3 Comentários

Por Erika Araújo

Deixamos a cinzenta capital inglesa, num vôo barato (onde se paga até pela água dentro do avião), e desembarcamos na Ilha da Madeira, em Portugal, com a temperatura por volta dos 25 graus e céu limpo. Apesar da quase feira livre que rolou no avião durante as três horas e meia de viagem, por conta da criançada, converseira, e oferta dos produtos da Duty Free, e os bancos que me fizeram lebrar meus tempos de ônibus intermunicipais de Guarulhos a Itaquera, foi um vôo tranqüilo, sem turbulências. Pra sorte de quem morre de medo de voar, caso da boneca aqui… A passagem pela imigração não demorou mais que cinco minutos e no fim o pedido de desculpas do oficial pela demora, “é que os passaportes de vocês não tem código eletrônico, eu tive que digitar todos os dados. Boas férias”.

No saguão do aeroporto, assim que atravessamos a cortina dos tradicionais motoristas segurando plaquinhas com nomes, ouvimos atrás de nós a voz familiar do Rodrigo nos chamando, nos sentimos em casa na hora e o caminho do aeroporto para a casa dele e da Malu por sí já foi um passeio. Da estradinha estreita, cheia de subidas e descidas, que vez por outra atravessava montanhas por túneis, do meu lado direito a vista era para o mar. Do esquerdo, as casas espalhadas pelos morros, algumas quase perdidas cercadas pela vegetação da ilha, enchiam os olhos.

Deixamos a bagagem no cantinho que a Malu reserva aos hospedes e saímos para almoçar num restaurante conhecido deles. De lá, rumamos para o parque Santa Catarina, onde paramos pra tirar as primeiras fotos. Passeamos um pouco pelo centro da cidade, demos uma caminhada no calçadão à beira mar, e aproveitamos o final da tarde experimentando a popular poncha. Quase uma caipirinha portuguesa. Mel, sumo de maracujá e aguardnte de cana-de-açúcar. Uma delícia.

O dia foi cheio e o Rodrigo sairia cedo para trabalhar no dia seguinte, terminamos a noite baixando as fotos do dia, ligando pra família e colocando o papo em dia com os nossos anfitriões.

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Teto amigo e outros tetos

Abril 23, 2008 · 2 Comentários

Hostel Helvetia, em Varsóvia

Por Dubes Sônego

Estamos em contagem regressiva para o início da viagem. Em sete dias, embarcamos para Londres, onde seremos recebidos pela Larissa e pelo Randal, casal de amigos brasileiros que irá nos hospedar e ciceronear, até dia 6. De lá, casa do Rodrigo e da Malu, na Ilha da Madeira. Voltamos para o continente, passando por Lisboa, e vamos para Madrid nos encontrar com o Junior e a Juli. Em Dublin, nossa última parada, a Thaise vai nos ceder aquele bom e velho espaço na sala e nos levar nos melhores pubs da cidade.

Amigos morando fora podem quebrar um tremendo galho numa viagem como essa. Dos 37 dias de nosso giro pela Europa, vamos passar quase a metade em sofás e quartos de hóspedes. Além da economia, em si, expatriado é uma raça que gosta barbaridade de receber patrícios em casa, de escutar notícias de outros viajantes, e de mostrar aos visitantes os lugares legais que conheceu longe da terra natal. É levantar o tampo da privada, dar descarga e manter a louça em dia, que está tudo lindo. Vai ser legal pacas.

Em sete das oito outras cidades por onde vamos passar, vamos ficar em albergues. Em Lisboa, escolhemos um chamado Travellers House, na Rua Augusta, que liga o Rossio à Praça do Comércio, no centro da cidade baixa. Diária de 20 euros, em quarto para seis pessoas. Uma facada, mas o lugar é muito bem avaliado e a concorrência não oferecia preços muito mais em conta, ora, pois. Em Berlin, vamos ficar na parte oriental, em um albergue chamado Generator. Tem novecentos e poucos leitos e cara de ser um daqueles prédios em forma de caixote, construídos nos tempos do regime comunista – estou chutando, mas tem cara. Lá, apesar das outras 12 pessoas no quarto, o preço é bem mais camarada que o do albergue em Portugal. Vamos pagar 13 euros por noite, cada um. Tinha mais barato, nove euros, mas em quartos com 32 camas. E o dobro de 64 sapatos fedendo. Aí, passamos.

No trecho do leste europeu da viagem, encontramos preços um pouco mais em conta. Ou, quando não, pelo menos um pouco mais de conforto, por preços similares. Em Praga, que dizem ser uma das cidades mais bonitas da Europa e, por tabela, uma das mais românticas, conseguimos um quarto de casal, por 40 euros, para entrar no clima – o albergue é o Clown and Bard. Em Bratislava, nos hospedaremos por 14 euros cada, em quarto para seis pessoas, no Pátio Hostel, que tem mesa de pebolim como um dos atrativos extra. Em Varsóvia, ficaremos no Helvetia, por 12 euros, sem café da manhã, em quarto com oito camas. Por fim, em Budapeste, descobrimos que alugar um quarto em casa de família, ou um apartamento pequeno, pode ser tão ou mais barato que dividir o quarto com mais gente em um albergue. Vamos ficar na casa da dona Veronika, que fala inglês e francês. O quarto de casal, com banheiro e cozinha compartilhados, saiu 110 euros, por três noites. A agência de faz a ponte entre locatários e viajantes é a Ibusz.

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Passagens compradas

Abril 9, 2008 · 1 Comentário

Por Dubes Sônego

Estamos com todas as passagens compradas. A reserva de trem que faltava chegou na sexta-feira, pelo correio.

Para quem procura referências de preço de uma viagem como essa, aqui vai o nosso orçamento e o que levamos em conta na hora de escolher que meio de transporte usar em cada trecho.

As passagens internas, na Europa, nos custaram 1350 euros. Vamos voar de Londres para a Ilha da Madeira, da Madeira para Lisboa, de Lisboa para Madrid e de Madrid para Berlim. De Berlim para Praga, onde começamos a usar o nosso Europass Leste Europeu, e daí em diante, até Varsóvia, vamos de trem. De Varsóvia, voamos para Dublin, nossa última parada antes do Brasil.

De modo geral, optamos por fazer de avião trechos que partissem ou tivessem como destino cidades centrais na distribuição de vôos pela Europa (em negrito, neste parágrafo). Cidades que, pelo mesmo motivo, são as mais bem cobertas pelas companhias aéreas européias de baixo custo, como a Ryanair (Varsóvia-Dublin) e a EasyJet (Londres-Funchal, Madrid-Berlim, Lisboa-Madrid). Comprando as passagens com relativa antecedência, é possível beber um tradicional vinho do porto, em Porto, na hora do almoço, e se mandar para um show de rock em Londres, à noite, pela bagatela de 10 euros – provavelmente o mesmo que se gastaria para ir de táxi de casa até a Augusta, em São Paulo.

Porém, viajar entre cidades que não tem aeroportos tão importantes costuma ser mais barato de trem, ou de ônibus. Existem vôos com tarifa econômica partindo de Londres em direção a Praga, Bratislava e Budapeste. Mas não entre estas três cidades de países vizinhos no leste europeu. Por isso, optamos pela compra do Europass, que nos custou CAD$ 220 (cada, na segunda classe) e nos dá direito a cinco viagens de trem, dentro de cinco países (República Tcheca, Eslováquia, Polônia, Áustria e Hungria), num prazo de um mês. A diferença de preço também fez com que optassem por rodar sobre trilhos de Berlim a Praga.

A única surpresa que tivemos com o Europass é que as reservas, aconselháveis principalmente para quem vai viajar à noite, são pagas. No final das contas, os CAD$ 220 acabam custando um pouco mais. O valor das reservas que fizemos variou de CAD$ 12 a CAD$ 30, por pessoa.

Na hora de escolher as passagens aéreas, além dos sites já citados, vale uma olhada no E-Dreams, onde achamos e compramos passagens da EasyJet, de Lisboa a Madrid, mais baratas que no site da própria EasyJet.

Nossas passagens de trem entre Berlim e Praga foram compradas por 117 euros (as duas), na Bahn.

O trecho mais caro da viagem, porém, foi Ilha da Madeira-Lisboa. Na ida, saímos de Londres, onde se encontram tarifas bem mais descentes que as cobradas pela TAP. A companhia aérea portuguesa nos levou 440 euros, quase um terço do orçamento com as passagens no continente.

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