Pela Europa de mochila

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Lisboa, pros lados de Belém

Junho 20, 2008 · 1 Comentário

Por Erika Araújo

O mercado público foi o primeiro lugar pelo qual passamos na manhã do nosso segundo dia em Lisboa. Mas uma vez, foi inevitável a comparação com São Paulo. Achamos o nosso muito mais bonito. O deles é mais como um galpão grande, sem muito fru-fru, mas não deixa de ter o seu charme. No andar de baixo, frutas, verduras, peixes, temperos, artesanato e um corredor todo só para flores. No segundo, uma livraria onde os livros estão dispostos em bancadas ao invés de prateleiras, restaurante e um corredor com fotos que contam a história do mercado, desde a época em que o comércio era feito na rua até a construção da edificação.

O Monumento aos Descobrimentos foi o nosso próximo destino. Para chegar até lá, pegamos um trem de superfície na frente do mercado e descemos quase na metade do caminho. O resto do trajeto fizemos a pé, margeando o rio Tejo ao lado de outros turistas, ciclistas e algumas pessoas se exercitando. Do outro lado do rio, vimos a estátua do Cristo Lisboeta, inspirado no nosso Cristo Redentor, que agradou ao Cardeal Patriarca de Lisboa, durante sua visita ao Rio de Janeiro, em 1934. A construção do monumento lisboeta foi iniciada em 1949, depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em cumprimento ao voto feito pelo Episcopado português, que se comprometeu a erguê-lo caso Portugal ficasse de fora do conflito. Do mesmo ponto de observação, a Ponte 25 de Abril, que liga Lisboa à Almada, nos chamou a atenção pela semelhança com a velha Hercílio Luz, de Florianópolis. Só que as proporções são muito maiores. Além de automóveis, a ponte portuguesa foi projetada, em 1960, para suportar também o tráfego de trens – inicialmente batizada Ponte Salazar, em homenagem ao ditador que comandou o País de 1932 a 1968, a ponte recebeu o nome atual após a Revolução dos Cravos, que derrubou o antigo regime militar, no dia 25 de Abril de 1974.

Enfim, chegamos ao monumento de mais de 50 metros de altura, em forma de caravela, que carrega os heróis dos descobrimentos portugueses. No interior, com quatro andares, são apresentados filmes e exposições sobre os descobrimentos de Portugal. O último andar serve como mirante e tem vista para o Rio Tejo. Não subimos, achamos caro os 5 euros cobrados pela visita. A fome também estava apertando e ainda passaríamos pela Torre de Belém antes de pararmos para o almoço.

A chegada à Torre de Belém foi decepcionante. Demos de cara com uma decoração mais que de mau gosto. Dezenas de bolas infláveis numa nada discreta cor de laranja, penduradas do lado de fora. Não interessa em comemoração a que. A decoração, para nós, foi o equivalente a um ato vandalismo. Pagamos só 1,5 euros para entrar, graças ao desconto de 50% para menores de 26 anos e a carteira de jornalista do Dubes. O passeio nos deu uma idéia de como funcionava a fortificação, inaugurada em 1520 e usada originalmente como peça central do sistema de defesa da barra do rio Tejo, de onde partiam as naus em direção as Índias e ao Novo Mundo. A subida ao topo, através de uma escada estreita em caracol, de pedra, cansa os fisicamente menos preparados. As paradas em cada andar, para ler um pouco sobre a história do lugar e para que foi usado cada pavimento, valem à pena.

A parada para o almoço foi adiada depois que passamos em frente ao Centro Cultural de Belém, onde funciona o Museu Colecção Berardo, de arte moderna e contemporânea. O prédio nos chamou a atenção pelas proporções e decidimos entrar. Logo de cara, vimos uma exposição do fotógrafo, pintor e escritor haitiano Gérald Bloncourt, chamada “Por uma vida melhor”, sobre a imigração portuguesa para a França, nas décadas de 1950 e 1960. Expulso de seu país de origem e exilado na Europa, Bloncourt colaborou com publicações da imprensa operária e progressista de Paris, como La Vie ouvrièri e L’Humanité, e cobriu a movimentação de quase um milhão de portugueses que deixaram Portugal, muitos deles a pé, em busca de uma vida melhor na periferia de grandes cidades francesas, nas duas décadas citadas. As casas de lata, onde as famílias se instalavam; as crianças com caras sujas e sofridas; e mulheres carregando latas de água são algumas das imagens que o fotógrafo capturou ao acompanhar o trajeto dessas famílias.

Visitamos depois seções do acervo do museu, que cobre toda sorte de movimentos artísticos do século passado, da picareta “Action Painting” aos populares cubismo, surrealismo e pop art. Compramos postais na loja do museu e seguimos para a Rua de Belém, bem próxima, onde estão a Confeitaria de Belém, famosa pelo tradicional e patenteado Pastel de Belém, e restaurantes pequenos que satisfazem por preços honestos. Um bom prato feito, com chope, sai por 6,50 euros. De barriga cheia e um pouco mais descansados enfrentamos a fila de quase meia hora para provar a receita original do tal pastel. Fresquinho e salpicado com açúcar e canela. Sensacional!

O pouco tempo que passaríamos em Lisboa nos obrigava a aproveitar cada hora na cidade. Passamos ainda no Mosteiro dos Jerônimos, que já estava fechado, mas ainda deu pra conhecer a catedral que pertence a ele.

Já de volta ao centro, na Praça do Comércio, sentamos para tomar um café no Martinho da Arcada, famoso por ter tido como freguês o escritor Fernando Pessoa, e fomos para o albergue, já no início da noite.

No dia seguinte pulamos da cama bem cedo para aproveitar o pouco tempo que tínhamos antes do check-out no albergue, ao meio dia. Andamos pelo Bairro Alto, visitamos o topo do Elevador de Santa Justa – que se parece muito com o Elevador Lacerda, de Salvador – e tentamos provar o vinho do porto no Solar do Vinho do Porto, mas acho que os portugueses não têm muito o hábito de beber antes das onze na manhã, horário em que passamos por lá e demos com a cara na porta de vidro fechada. Sem tempo para esperar, voltamos para pegar nossas coisas e ir para o aeroporto esperar o vôo para Madrid.

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Lisboa, ora pois!

Maio 27, 2008 · 2 Comentários

Por Erika Araújo

De Funchal partimos para Lisboa de manhã cedo, deu tempo do Rodrigo nos levar ao aeroporto antes de ir para o trabalho. Já estávamos na capital portuguesa antes do meio dia. Do aeroporto ao centro, onde nos hospedamos, o trajeto foi de uns 40 minutos usando transporte público, a 1,35 euros por pessoa. Saltamos do ônibus na Praça do Comércio e fomos direto para o nosso hostel na rua Algusta. Região onde o movimento de turistas é bem intenso e o de vendedores de haxixe também. Mal pisamos no cançadão e já fomos abordados por um senhor de terno azul marinho, risca de giz, corpo esquelético, cara bem decadente, que nos mostrou um punhado de bolinhas verdes e cochichou: haxixe? Uns dez metros depois foi a vez de um outro fulano: marijuana? Coke? Em plena luz do dia, sem muita descrição, entre os policiais fardados…

Fizemos o chek-in, acomodamos os quase 20 kilos que cada um carrega nas costas e saímos para almoçar. No primeiro restaurante que simpatizamos fomos recepcionados por um brasileiro paulista. Pedimos um dos pratos tradicionais que o rapaz sugeriu, bacalhau com natas. O peixe desfiado é preparado e servido num prato de barro, coberto com um creme que mistura queijo e creme de leite e vai depois ao forno. Uma delícia. Tomamos nossa primeira cerveja observando o movimento da rua e as fachadas da redondeza. O que nos fez pensar em alguns dos prédioas antigos que vemos no centro de São Paulo lá pelos lados da São Bento, Praça da Sé, 25 de março e por aí vai.

Orientados pelo nosso guia da Lonely Planet partimos em direção ao castelo de São Jorge num bondinho amarelo dos que aparecem em vários cartões da cidade. Nos distraímos e acabamos descendo no ponto final, uns três pontos depois do castelo. O que no fim das contas nos obrigou a conhecer um outro canto da cidade que não planejávamos. Conhecemos a Igreja da Graça, paramos para tirar umas fotos no mirante em frente e tomamos a segunda cerveja do dia.

Chegamos ao castelo quase no fim da tarde mas ainda à de tempo de passear por dentro dele por umas duas horas. A fortaleza foi construída no topo de um morro, onde se tem uma vista incrível de boa parte da cidade. Andamos um pouco pelo jardim e logo começamos o sobe e desce pelas ruínas e torres que começaram a surgir no século XI, quando Lisboa era uma cidade portuária muçulmana, sendo conquistada depois pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

Antes de voltarmos para o hostel ainda paramos na Praça do Comércio, ou Terreiro do Paço, que fica na baixa de Lisboa. Uma das maiores praças da Europa, segundo a Wikipédia, e que foi local do palácio dos reis de Portugal. Fizemos algumas poses em frente ao Arco do Triunfo, na passagem para a rua Algusta, e com a estátua de D. José I, já com a noite caindo. Depois de um bom banho, fechamos a noite descansando as pernas nos confortáveis sofás do albegue, comendo nossos sanduíches de queijo acompanhado por um bom vinho portuga.

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Teto amigo e outros tetos

Abril 23, 2008 · 2 Comentários

Hostel Helvetia, em Varsóvia

Por Dubes Sônego

Estamos em contagem regressiva para o início da viagem. Em sete dias, embarcamos para Londres, onde seremos recebidos pela Larissa e pelo Randal, casal de amigos brasileiros que irá nos hospedar e ciceronear, até dia 6. De lá, casa do Rodrigo e da Malu, na Ilha da Madeira. Voltamos para o continente, passando por Lisboa, e vamos para Madrid nos encontrar com o Junior e a Juli. Em Dublin, nossa última parada, a Thaise vai nos ceder aquele bom e velho espaço na sala e nos levar nos melhores pubs da cidade.

Amigos morando fora podem quebrar um tremendo galho numa viagem como essa. Dos 37 dias de nosso giro pela Europa, vamos passar quase a metade em sofás e quartos de hóspedes. Além da economia, em si, expatriado é uma raça que gosta barbaridade de receber patrícios em casa, de escutar notícias de outros viajantes, e de mostrar aos visitantes os lugares legais que conheceu longe da terra natal. É levantar o tampo da privada, dar descarga e manter a louça em dia, que está tudo lindo. Vai ser legal pacas.

Em sete das oito outras cidades por onde vamos passar, vamos ficar em albergues. Em Lisboa, escolhemos um chamado Travellers House, na Rua Augusta, que liga o Rossio à Praça do Comércio, no centro da cidade baixa. Diária de 20 euros, em quarto para seis pessoas. Uma facada, mas o lugar é muito bem avaliado e a concorrência não oferecia preços muito mais em conta, ora, pois. Em Berlin, vamos ficar na parte oriental, em um albergue chamado Generator. Tem novecentos e poucos leitos e cara de ser um daqueles prédios em forma de caixote, construídos nos tempos do regime comunista – estou chutando, mas tem cara. Lá, apesar das outras 12 pessoas no quarto, o preço é bem mais camarada que o do albergue em Portugal. Vamos pagar 13 euros por noite, cada um. Tinha mais barato, nove euros, mas em quartos com 32 camas. E o dobro de 64 sapatos fedendo. Aí, passamos.

No trecho do leste europeu da viagem, encontramos preços um pouco mais em conta. Ou, quando não, pelo menos um pouco mais de conforto, por preços similares. Em Praga, que dizem ser uma das cidades mais bonitas da Europa e, por tabela, uma das mais românticas, conseguimos um quarto de casal, por 40 euros, para entrar no clima – o albergue é o Clown and Bard. Em Bratislava, nos hospedaremos por 14 euros cada, em quarto para seis pessoas, no Pátio Hostel, que tem mesa de pebolim como um dos atrativos extra. Em Varsóvia, ficaremos no Helvetia, por 12 euros, sem café da manhã, em quarto com oito camas. Por fim, em Budapeste, descobrimos que alugar um quarto em casa de família, ou um apartamento pequeno, pode ser tão ou mais barato que dividir o quarto com mais gente em um albergue. Vamos ficar na casa da dona Veronika, que fala inglês e francês. O quarto de casal, com banheiro e cozinha compartilhados, saiu 110 euros, por três noites. A agência de faz a ponte entre locatários e viajantes é a Ibusz.

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Passagens compradas

Abril 9, 2008 · 1 Comentário

Por Dubes Sônego

Estamos com todas as passagens compradas. A reserva de trem que faltava chegou na sexta-feira, pelo correio.

Para quem procura referências de preço de uma viagem como essa, aqui vai o nosso orçamento e o que levamos em conta na hora de escolher que meio de transporte usar em cada trecho.

As passagens internas, na Europa, nos custaram 1350 euros. Vamos voar de Londres para a Ilha da Madeira, da Madeira para Lisboa, de Lisboa para Madrid e de Madrid para Berlim. De Berlim para Praga, onde começamos a usar o nosso Europass Leste Europeu, e daí em diante, até Varsóvia, vamos de trem. De Varsóvia, voamos para Dublin, nossa última parada antes do Brasil.

De modo geral, optamos por fazer de avião trechos que partissem ou tivessem como destino cidades centrais na distribuição de vôos pela Europa (em negrito, neste parágrafo). Cidades que, pelo mesmo motivo, são as mais bem cobertas pelas companhias aéreas européias de baixo custo, como a Ryanair (Varsóvia-Dublin) e a EasyJet (Londres-Funchal, Madrid-Berlim, Lisboa-Madrid). Comprando as passagens com relativa antecedência, é possível beber um tradicional vinho do porto, em Porto, na hora do almoço, e se mandar para um show de rock em Londres, à noite, pela bagatela de 10 euros – provavelmente o mesmo que se gastaria para ir de táxi de casa até a Augusta, em São Paulo.

Porém, viajar entre cidades que não tem aeroportos tão importantes costuma ser mais barato de trem, ou de ônibus. Existem vôos com tarifa econômica partindo de Londres em direção a Praga, Bratislava e Budapeste. Mas não entre estas três cidades de países vizinhos no leste europeu. Por isso, optamos pela compra do Europass, que nos custou CAD$ 220 (cada, na segunda classe) e nos dá direito a cinco viagens de trem, dentro de cinco países (República Tcheca, Eslováquia, Polônia, Áustria e Hungria), num prazo de um mês. A diferença de preço também fez com que optassem por rodar sobre trilhos de Berlim a Praga.

A única surpresa que tivemos com o Europass é que as reservas, aconselháveis principalmente para quem vai viajar à noite, são pagas. No final das contas, os CAD$ 220 acabam custando um pouco mais. O valor das reservas que fizemos variou de CAD$ 12 a CAD$ 30, por pessoa.

Na hora de escolher as passagens aéreas, além dos sites já citados, vale uma olhada no E-Dreams, onde achamos e compramos passagens da EasyJet, de Lisboa a Madrid, mais baratas que no site da própria EasyJet.

Nossas passagens de trem entre Berlim e Praga foram compradas por 117 euros (as duas), na Bahn.

O trecho mais caro da viagem, porém, foi Ilha da Madeira-Lisboa. Na ida, saímos de Londres, onde se encontram tarifas bem mais descentes que as cobradas pela TAP. A companhia aérea portuguesa nos levou 440 euros, quase um terço do orçamento com as passagens no continente.

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