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Bastou uma olhada pela janela, naquela rápida ida ao banheiro entre uma noite bem dormida e a última visita aos lençóis. O céu nublado e a garoa tornaram mais fácil descartarmos uma das opções de vadiagem para nosso último dia em Madrid, a de visitar o Parque del Buen Retiro. Depois de um café da manhã sem pressa, fomos conhecer dois dos principais museus madrilenos, o Reina Sofia e o Del Prado. Nosso único receio em relação a essa programação eram as filas. Aos domingos, os dois museus têm entrada franca e costumam lotar. Pra nossa sorte, não foi o caso, e passamos algumas boas horas apreciando Mirós, Dalís e “bocetos de Picasso”.

O Reina Sofia foi um dos museus que mais gostamos em toda a viagem. Nele estão expostas coleções extensas de artistas espanhóis como Picasso, que reúnem não só quadros famosos já acabados, mas também esboços e obras em outros suportes, que ajudam a entender e desmistificar seus processos de criação. Ali se encontram vários “bocetos” (rascunhos) de personagens que depois iriam ser usados em Guernica, que também pertence ao acervo do Reina Sofia.
Concentramos nossa visita no segundo piso do museu, onde há salas dedicadas a Salvador Dalí, ao surrealismo e a revolução causada por ele dentro do movimento surrealista; a Juan Gris e “a reordenação do olhar moderno”; a Juan Miró, sua “pintura e antipintura”; à ”modernidade e a vanguarda da arte dos anos 30” e “a ruptura cubista do espaço”. Além de temas com nomes ainda mais pomposos e conteúdo de primeira. Pedantismo à parte, realmente coisa fina.
Do Reina Sofia, caminhamos em direção ao Del Prado, com uma parada no caminho, para provar a paella espanhola. Só que a fome era muita e nos faltou paciência para procurar um restaurante especializado. Acabamos comendo algo ligeiramente melhor que um PF de arroz com camarões e lulas. O que, pensando bem, deve ser mesmo a legítima paella espanhola pra quem “no tiene plata”, é durango. A lula, pelo menos, estava macia. E o vinho da casa saiu barato.
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O museu Del Prado reúne obras mais antigas que o Reina Sofia. Não é tanto a nossa praia, mas tem alguns quadros bem interessantes, como O Jardim das Delícias, do Hieronymus Bosch (Sec.XV), cheio de gente pelada, em um ambiente onírico, quase um Woodstock. No final das contas, valeu fácil a visita. Principalmente por ter sido de graça.
De lá, voltamos para casa para jantar, bater o último papo com nossos anfitriões, Jr e Juli, e reunir as tralhas para pegar um dos últimos metrôs para o aeroporto, por volta da meia noite. Esperaríamos acordados até às 6h30min da manhã, tentando dormir no chão frio de Baraja. Um dos nossos principais erros na viagem…
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