Por Erika Araújo
Enquanto no Brasil as águas de março vão fechando o verão, por aqui as ruas estão cobertas com as águas da neve que ainda está derretendo. As pilhas branquinhas dos acúmulos da chuva em flocos que algumas vezes ultrapassavam a altura dos carros, dão lugar agora aos espelhos d’água formados nas esquinas de ruas irregulares. Tudo se duplica de ponta cabeça. Botas de borracha, galochas coloridas, contrastam com as primeiras pernas de fora. Em alguns lugares a grama baixa quase esquecida, começa, ainda que amarelada, a dar as caras. Até as gaivotas briguentas ressurgem com seus gritos reclamões. De madrugada os arredores dos bares estão cheios de novo. Os tecidos leves e coloridos voltam aos poucos às vitrines. Uma personalidade desconhecida para nós que a cidade assume.Para nós os três últimos meses de inverno agora dão sentido ao alvoroço com que demos de cara quando chegamos aqui, quase no meio da primavera do ano passado. A festa de mini, micro saias, grupo de meninas com gargalhadas escandalosas, parques cheios, festival de jazz, de comédia, de bandinhas de rock alternativo, de música escocesa, desfile de roupas pra cachorro, festa da comunidade italiana, da portuguesa, da caribenha, da brasileira! Tudo sempre ao ar livre e com a escuridão da noite chegando cada vez mais tarde. Um mês depois desfazíamos nossas malas onde viría a ser nossa moradia permanente…
Nessa mesma casa agora começamos a refazer os mesmos mochilões e a nos despedir de Toronto. E bate a mesma sensação de urgência que nos fez revirar São Paulo, na nossa época de despedida por lá, em busca de lugares que tínhamos vontade de conhecer. Estamos correndo atrás do tempo perdido nos meses que passamos enfurnados em casa por causa dos doloridos ventos frios do inverno e curtindo desde passeios por áreas verdes, rotas históricas e vizinhanças de diversas etnias, até visitas à lojas, galerias e restaurantes. E como na nossa época de despedida de São Paulo, planejando uma viagem, desta vez pra Europa!
