Berlim com sono

Chegamos moídos a Berlim pela manhã e fomos procurar um transporte público para chegar ao albergue, na parte oriental. A cidade tem uma ampla e bem planejada rede que combina bondes, linhas de metrô, trens metropolitanos e ônibus. Pegamos um mapa na central de informações e descobrimos que pegaríamos o trem metropolitano.

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Tivemos alguma dificuldade para comprar o bilhete, porque a lógica do sistema é muito diferente da brasileira e da canadense, às quais estávamos acostumados. O preço da passagem varia de acordo com a distância percorrida e a variedade de meios usados. Há diferentes zonas, partindo do centro, e quanto mais longe, mais caro. Quando é necessário fazer baldeação com ônibus, a tarifa sobe.

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Não há bilheterias com atendentes. O sistema é todo automatizado. Escolhe-se na tela de um terminal parecido com um caixa eletrônico o destino, deposita-se o dinheiro e o tíquete é liberado em uma abertura na parte inferior, junto com o troco – uma boa opção, que descobriríamos mais tarde, é o Berlin Welcome Card, que dá direito a viagens ilimitadas, por dois ou três dias, e acesso a mais de 50 museus e atrações.

Estávamos destruídos por causa da noite mal dormida no aeroporto e queríamos chegar logo ao albergue para nos livrar de toda a tralha que carregávamos, tomar um banho e esticar o esqueleto antes de sair para conhecer a cidade. Com os tíquetes na mão, embarcamos e, cerca de meia hora depois, descemos praticamente na porta do Generator, o hostel maior  e mais barato em que nos hospedamos na viagem – um prédio de sete andares, com mais de 900 leitos e diárias a partir de 9 euros (na época).

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Depois de alguma espera para liberarem nossas camas, tempo que aproveitamos para colocar a roupa para lavar e tirar um cochilo no sofá do hall de entrada, finalmente subimos, largamos nossas coisas em um armário e descemos para comer em uma cantina próxima. Na pressa de ir dormir, adiamos a investida na culinária local. Meia hora depois, de barriga cheia e bastante frustrados pelo cansaço, nos deitamos.

O sol acabava de se por quando despertamos. Ansiosos para conhecer a cidade, tomamos banho e saímos atrás de atrações sugeridas por nosso guia de viagens.

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No bonde, a caminho da região central, a primeira escorregada pela falta de intimidade com o idioma. Embarcamos em um que certamente dizia algo como “garagem”, e só nos demos conta do equívoco quando, minutos depois, parados em uma ruela escura, paralela a via principal, fomos enxotados por um condutor que gritava e gesticulava, sugerindo que a corrida acabava ali: “nicht. Nicht. Nicht”.

Fomos para o ponto mais próximo e, aí sim, pegamos o bonde certo.

Desembarcamos na região central do que foi Berlin Oriental e saíamos em busca de um antigo café, freqüentado por altos membros do partido comunista, que havia sido transformado em bar, mas ainda mantinha a decoração original dos tempos da cortina de ferro. Demos de cara com as portas fechadas e descobrimos em um restaurante próximo que havia fechado cerca de um mês antes.

A alternativa foi buscarmos outro bar no guia. Escolhemos um chamado Kaffee Burger, pela programação roqueira e descrição do estilo (o bar também abriga uma festa famosa na cidade chamada Russian Disco). Valeu à pena. Música bacana, ambiente aconchegante, com papeis de parede e luz vermelha na pista.

Terminamos a noite por lá e pegamos um táxi para o albergue.

Fica a idéia: a região da cidade onde está o Kaffee Burger é cheia de bares e albergues. Eles são um pouco mais caros que o Generator, mas muito mais bem localizados.

Bocetos de Picasso

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Bastou uma olhada pela janela, naquela rápida ida ao banheiro entre uma noite bem dormida e a última visita aos lençóis. O céu nublado e a garoa tornaram mais fácil descartarmos uma das opções de vadiagem para nosso último dia em Madrid, a de visitar o Parque del Buen Retiro. Depois de um café da manhã sem pressa, fomos conhecer dois dos principais museus madrilenos, o Reina Sofia e o Del Prado. Nosso único receio em relação a essa programação eram as filas. Aos domingos, os dois museus têm entrada franca e costumam lotar. Pra nossa sorte, não foi o caso, e passamos algumas boas horas apreciando Mirós, Dalís e “bocetos de Picasso”.


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O Reina Sofia foi um dos museus que mais gostamos em toda a viagem. Nele estão expostas coleções extensas de artistas espanhóis como Picasso, que reúnem não só quadros famosos já acabados, mas também esboços e obras em outros suportes, que ajudam a entender e desmistificar seus processos de criação. Ali se encontram vários “bocetos” (rascunhos) de personagens que depois iriam ser usados em Guernica, que também pertence ao acervo do Reina Sofia.

Concentramos nossa visita no segundo piso do museu, onde há salas dedicadas a Salvador Dalí, ao surrealismo e a revolução causada por ele dentro do movimento surrealista; a Juan Gris e “a reordenação do olhar moderno”; a Juan Miró, sua “pintura e antipintura”; à ”modernidade e a vanguarda da arte dos anos 30” e “a ruptura cubista do espaço”. Além de temas com nomes ainda mais pomposos e conteúdo de primeira. Pedantismo à parte, realmente coisa fina.

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Do Reina Sofia, caminhamos em direção ao Del Prado, com uma parada no caminho, para provar a paella espanhola. Só que a fome era muita e nos faltou paciência para procurar um restaurante especializado. Acabamos comendo algo ligeiramente melhor que um PF de arroz com camarões e lulas. O que, pensando bem, deve ser mesmo a legítima paella espanhola pra quem “no tiene plata”, é durango. A lula, pelo menos, estava macia. E o vinho da casa saiu barato.

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O museu Del Prado reúne obras mais antigas que o Reina Sofia. Não é tanto a nossa praia, mas tem alguns quadros bem interessantes, como O Jardim das Delícias, do Hieronymus Bosch (Sec.XV), cheio de gente pelada, em um ambiente onírico, quase um Woodstock. No final das contas, valeu fácil a visita. Principalmente por ter sido de graça.

De lá, voltamos para casa para jantar, bater o último papo com nossos anfitriões, Jr e Juli, e reunir as tralhas para pegar um dos últimos metrôs para o aeroporto, por volta da meia noite. Esperaríamos acordados até às 6h30min da manhã, tentando dormir no chão frio de Baraja. Um dos nossos principais erros na viagem…

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Em algum lugar de La Mancha…

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De Madrid a Toledo, de ônibus, a viagem dura cerca de uma hora e meia. Existe a opção de ir de trem, mas a freqüência é menor, o preço é mais alto e a estação fica mais longe que a rodoviária, do centro antigo. Pagamos 16 euros cada um, pela ida e pela volta, e nos mandamos.

Cartaz com a imagem e o nome de procurados do ETA, na rodoviária de Toledo.

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Da rodoviária de Toledo até a cidade antiga são cerca de dez minutos de caminhada. Sobe-se uma ladeira leve, três ou quatro ruelas mais e se chega à praça central, onde existe, certamente, a maior concentração de lojas de armaduras, espadas e tabuleiros de jogo de xadrez da Europa. Descobri, depois, que, já nos tempos do império Romano, a região de La Mancha era famosa pela qualidade das espadas que produzia. Hoje, só pode ser a globalização, vendem até espada de samurai. Tremenda picaretagem.

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Fora o comércio de quinquilharias exóticas, a arquitetura de Toledo é um excelente exemplo de quão claustrofóbicas e caóticas deviam ser as cidades nos tempos medievais. Dentro da fortaleza do castelo, existem prédios e mais prédios, colados uns nos outros, formando um labirinto de ruas estreitas, que, vez ou outra, terminam em praças, igrejas, mesquitas e sinagogas. Imagino aquilo tudo sem saneamento básico, as ruas apinhadas de gente, merda de cavalo, de boi e de outros animais pra tudo que era lado. Devia ser uma catinga dos diabos, sob um sol de lascar, com pouco vento pra aliviar a barra. Hoje, o lugar é limpinho, bonito e cheiroso, a comida é sensacional, e os espanhóis enchem as burras com os turistas.

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A cidade tem, de fato, atrativos de sobra para justificar a visita. Construída em 192 A.C. pelos Romanos, sobre as ruínas de uma antiga vila, Toledo foi uma importante cidade dos reinos visigodo e mouro, antes de cair sob o domínio do Rei Afonso VI, em 1085, que a transformou num centro de tolerância religiosa, abrigando pacificamente cristãos, judeus e muçulmanos. No século XIII, a mistura de culturas faria dela um dos principais centros culturais europeus, responsável pela tradução de textos clássicos árabes, judeus e gregos. Já por volta do século XV, durante o reinado de Carlos I, o primeiro a reunir os reinos de Aragão e Castela, seria capital do reino espanhol, status que manteve até 1563, quando Madrid passou a ser a sede do império. Mesmo preterida pela realeza, a região de Toledo seria escolhida por Miguel de Cervantes como ponto de partida para o personagem principal do livro Don Quixote, Don Quixote de la Mancha, maior clássico da literatura espanhola, publicado em 1605. Outro grande nome das artes, o pintor, escultor e arquiteto El Greco (Domenico Theotocópulo), um dos principais expoentes da renascença espanhola, viveu e trabalhou a maior parte de sua vida na cidade, onde morreu, em 1614.

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Já nos daríamos por satisfeitos com tudo isso. Mas foi lá, ainda, que encontramos as melhores azeitonas do mundo. Não sei se já falei aqui neste post, mas é tradição na Espanha os bares oferecerem junto com a bebida algo para comer. Você pede uma cerveja e recebe junto, sem pagar mais por isso, um prato com aperitivos. Quanto mais se bebe, mais farta é a porção, que pode ser de azeitonas, queijos, pasteizinhos e outros acepipes.

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No mais, outra coisa que nos chamou a atenção na cidade foi descobrir que ela é hoje um dos destinos preferidos de casais espanhóis, na hora da troca de alianças. No pouco tempo que passamos em Toledo, vimos três festas de casamento acontecendo nas igrejas locais. Na última, tinha até “paella” rolando, do lado de fora, com champanhe em copo plástico.

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Já quase escurecendo, nos mandamos pra rodoviária, com planos de jantar em casa, tomar um banho e sair pra uma noitada. Mas, chegando em casa, já lá pelas 10h da noite, depois de uma boa macarronada, ninguém teve mais muito pique pra nada. Ficamos em casa, para descansar e aproveitar direito o dia seguinte.

Madrid de santos, “tapas” e “birras”


Chegamos a Madrid empolgados com a possibilidade de conhecer a noite rock’n’rol da cidade, com o Júnior e a Juli, nossos anfitriões. Mas, o que fizemos, no final das contas, foi ir à festa de San Isidro, padroeiro da cidade; visitar museus, o Reina Sofia e o El Prado; e igrejas, como a Catedral de Nuestra Señora de la Almudena. O mais perto que chegamos do roteiro inicial programado para a cidade foi beber cerveja com “tapas”, os aperitivos que servem junto com a bebida, nos bares locais. Nem sequer cogitada em nossas pesquisas sobre o que fazer na Espanha, a visita a Toledo, cidade de Dom Quixote de La Mancha, uma hora de ônibus distante de Madrid, acabou sendo o ponto alto de nossa passagem pelo País.

O dia de nossa chegada foi um dia morto. Saímos relativamente cedo de Lisboa, mas o aeroporto de Barajas é bem maior e fica bem mais distante do centro da cidade do que imaginávamos. De metrô, levamos mais de uma hora para cobrir o trajeto, com baldeações e caminhadas estafantes pelos longos corredores que ligam uma linha a outra. Encontramos o Júnior numa estação próxima ao trabalho dele e acabamos o dia em casa, checando e-mails, atualizando o blog e bebendo cervejas Mahou, vendidas em garrafas de um litro. Marca boa e barata, 1,10 euro, no mercadinho chinês da esquina.

Na tarde seguinte, fizemos uma visita ao centro, guiados pelo Júnior. Os prédios mais antigos são bonitos, mas depois de passarmos por Lisboa, com seu centro antigo qualhado de prédios azulejados do rodapé ao telhado, a arquitetura madrilenha não comoveu tanto. De qualquer forma, foi legal passar pela Gran Via, a Avenida Paulista local, pelo Palácio Real, com 2800 quatros (não quisemos pagar para entrar); pela Catedral de Nuestra Señora de la Almudena, que fica ao lado; e pelos Jardins de Ferraz, onde está o templo de Debod, presente do governo egípcio aos espanhóis.

À noite, acompanhados também pela Juli, ligamos para o Dudu, amigo jornalista que está estagiando no El País, e fomos os cinco dar uma olhada na festa de San Isidro, padroeiro da cidade, que acontece no parque de São Isidro, bem próximo da casa do Junior e da Juli. Uma das mais tradicionais da cidade, a festa é uma quermesse gigantesca, com direito a parque de diversões, shows de rock, música distorcida pelos alto-falantes, gurizada aprendendo a beber atrás de menininhas, menininhas atrás da gurizada aprendendo a beber, tiro ao alvo e bingo. Demos uma caminhada pela festa, tomamos umas cervejas, deixamos o Dudu no ponto de ônibus e fomos todos dormir, decididos a visitar Toledo no dia seguinte.

Lisboa, pros lados de Belém

Por Erika Araújo

O mercado público foi o primeiro lugar pelo qual passamos na manhã do nosso segundo dia em Lisboa. Mas uma vez, foi inevitável a comparação com São Paulo. Achamos o nosso muito mais bonito. O deles é mais como um galpão grande, sem muito fru-fru, mas não deixa de ter o seu charme. No andar de baixo, frutas, verduras, peixes, temperos, artesanato e um corredor todo só para flores. No segundo, uma livraria onde os livros estão dispostos em bancadas ao invés de prateleiras, restaurante e um corredor com fotos que contam a história do mercado, desde a época em que o comércio era feito na rua até a construção da edificação.

O Monumento aos Descobrimentos foi o nosso próximo destino. Para chegar até lá, pegamos um trem de superfície na frente do mercado e descemos quase na metade do caminho. O resto do trajeto fizemos a pé, margeando o rio Tejo ao lado de outros turistas, ciclistas e algumas pessoas se exercitando. Do outro lado do rio, vimos a estátua do Cristo Lisboeta, inspirado no nosso Cristo Redentor, que agradou ao Cardeal Patriarca de Lisboa, durante sua visita ao Rio de Janeiro, em 1934. A construção do monumento lisboeta foi iniciada em 1949, depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em cumprimento ao voto feito pelo Episcopado português, que se comprometeu a erguê-lo caso Portugal ficasse de fora do conflito. Do mesmo ponto de observação, a Ponte 25 de Abril, que liga Lisboa à Almada, nos chamou a atenção pela semelhança com a velha Hercílio Luz, de Florianópolis. Só que as proporções são muito maiores. Além de automóveis, a ponte portuguesa foi projetada, em 1960, para suportar também o tráfego de trens – inicialmente batizada Ponte Salazar, em homenagem ao ditador que comandou o País de 1932 a 1968, a ponte recebeu o nome atual após a Revolução dos Cravos, que derrubou o antigo regime militar, no dia 25 de Abril de 1974.

Enfim, chegamos ao monumento de mais de 50 metros de altura, em forma de caravela, que carrega os heróis dos descobrimentos portugueses. No interior, com quatro andares, são apresentados filmes e exposições sobre os descobrimentos de Portugal. O último andar serve como mirante e tem vista para o Rio Tejo. Não subimos, achamos caro os 5 euros cobrados pela visita. A fome também estava apertando e ainda passaríamos pela Torre de Belém antes de pararmos para o almoço.

A chegada à Torre de Belém foi decepcionante. Demos de cara com uma decoração mais que de mau gosto. Dezenas de bolas infláveis numa nada discreta cor de laranja, penduradas do lado de fora. Não interessa em comemoração a que. A decoração, para nós, foi o equivalente a um ato vandalismo. Pagamos só 1,5 euros para entrar, graças ao desconto de 50% para menores de 26 anos e a carteira de jornalista do Dubes. O passeio nos deu uma idéia de como funcionava a fortificação, inaugurada em 1520 e usada originalmente como peça central do sistema de defesa da barra do rio Tejo, de onde partiam as naus em direção as Índias e ao Novo Mundo. A subida ao topo, através de uma escada estreita em caracol, de pedra, cansa os fisicamente menos preparados. As paradas em cada andar, para ler um pouco sobre a história do lugar e para que foi usado cada pavimento, valem à pena.

A parada para o almoço foi adiada depois que passamos em frente ao Centro Cultural de Belém, onde funciona o Museu Colecção Berardo, de arte moderna e contemporânea. O prédio nos chamou a atenção pelas proporções e decidimos entrar. Logo de cara, vimos uma exposição do fotógrafo, pintor e escritor haitiano Gérald Bloncourt, chamada “Por uma vida melhor”, sobre a imigração portuguesa para a França, nas décadas de 1950 e 1960. Expulso de seu país de origem e exilado na Europa, Bloncourt colaborou com publicações da imprensa operária e progressista de Paris, como La Vie ouvrièri e L’Humanité, e cobriu a movimentação de quase um milhão de portugueses que deixaram Portugal, muitos deles a pé, em busca de uma vida melhor na periferia de grandes cidades francesas, nas duas décadas citadas. As casas de lata, onde as famílias se instalavam; as crianças com caras sujas e sofridas; e mulheres carregando latas de água são algumas das imagens que o fotógrafo capturou ao acompanhar o trajeto dessas famílias.

Visitamos depois seções do acervo do museu, que cobre toda sorte de movimentos artísticos do século passado, da picareta “Action Painting” aos populares cubismo, surrealismo e pop art. Compramos postais na loja do museu e seguimos para a Rua de Belém, bem próxima, onde estão a Confeitaria de Belém, famosa pelo tradicional e patenteado Pastel de Belém, e restaurantes pequenos que satisfazem por preços honestos. Um bom prato feito, com chope, sai por 6,50 euros. De barriga cheia e um pouco mais descansados enfrentamos a fila de quase meia hora para provar a receita original do tal pastel. Fresquinho e salpicado com açúcar e canela. Sensacional!

O pouco tempo que passaríamos em Lisboa nos obrigava a aproveitar cada hora na cidade. Passamos ainda no Mosteiro dos Jerônimos, que já estava fechado, mas ainda deu pra conhecer a catedral que pertence a ele.

Já de volta ao centro, na Praça do Comércio, sentamos para tomar um café no Martinho da Arcada, famoso por ter tido como freguês o escritor Fernando Pessoa, e fomos para o albergue, já no início da noite.

No dia seguinte pulamos da cama bem cedo para aproveitar o pouco tempo que tínhamos antes do check-out no albergue, ao meio dia. Andamos pelo Bairro Alto, visitamos o topo do Elevador de Santa Justa – que se parece muito com o Elevador Lacerda, de Salvador – e tentamos provar o vinho do porto no Solar do Vinho do Porto, mas acho que os portugueses não têm muito o hábito de beber antes das onze na manhã, horário em que passamos por lá e demos com a cara na porta de vidro fechada. Sem tempo para esperar, voltamos para pegar nossas coisas e ir para o aeroporto esperar o vôo para Madrid.

Lisboa, ora pois!

Por Erika Araújo

De Funchal partimos para Lisboa de manhã cedo, deu tempo do Rodrigo nos levar ao aeroporto antes de ir para o trabalho. Já estávamos na capital portuguesa antes do meio dia. Do aeroporto ao centro, onde nos hospedamos, o trajeto foi de uns 40 minutos usando transporte público, a 1,35 euros por pessoa. Saltamos do ônibus na Praça do Comércio e fomos direto para o nosso hostel na rua Algusta. Região onde o movimento de turistas é bem intenso e o de vendedores de haxixe também. Mal pisamos no cançadão e já fomos abordados por um senhor de terno azul marinho, risca de giz, corpo esquelético, cara bem decadente, que nos mostrou um punhado de bolinhas verdes e cochichou: haxixe? Uns dez metros depois foi a vez de um outro fulano: marijuana? Coke? Em plena luz do dia, sem muita descrição, entre os policiais fardados…

Fizemos o chek-in, acomodamos os quase 20 kilos que cada um carrega nas costas e saímos para almoçar. No primeiro restaurante que simpatizamos fomos recepcionados por um brasileiro paulista. Pedimos um dos pratos tradicionais que o rapaz sugeriu, bacalhau com natas. O peixe desfiado é preparado e servido num prato de barro, coberto com um creme que mistura queijo e creme de leite e vai depois ao forno. Uma delícia. Tomamos nossa primeira cerveja observando o movimento da rua e as fachadas da redondeza. O que nos fez pensar em alguns dos prédioas antigos que vemos no centro de São Paulo lá pelos lados da São Bento, Praça da Sé, 25 de março e por aí vai.

Orientados pelo nosso guia da Lonely Planet partimos em direção ao castelo de São Jorge num bondinho amarelo dos que aparecem em vários cartões da cidade. Nos distraímos e acabamos descendo no ponto final, uns três pontos depois do castelo. O que no fim das contas nos obrigou a conhecer um outro canto da cidade que não planejávamos. Conhecemos a Igreja da Graça, paramos para tirar umas fotos no mirante em frente e tomamos a segunda cerveja do dia.

Chegamos ao castelo quase no fim da tarde mas ainda à de tempo de passear por dentro dele por umas duas horas. A fortaleza foi construída no topo de um morro, onde se tem uma vista incrível de boa parte da cidade. Andamos um pouco pelo jardim e logo começamos o sobe e desce pelas ruínas e torres que começaram a surgir no século XI, quando Lisboa era uma cidade portuária muçulmana, sendo conquistada depois pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.

Antes de voltarmos para o hostel ainda paramos na Praça do Comércio, ou Terreiro do Paço, que fica na baixa de Lisboa. Uma das maiores praças da Europa, segundo a Wikipédia, e que foi local do palácio dos reis de Portugal. Fizemos algumas poses em frente ao Arco do Triunfo, na passagem para a rua Algusta, e com a estátua de D. José I, já com a noite caindo. Depois de um bom banho, fechamos a noite descansando as pernas nos confortáveis sofás do albegue, comendo nossos sanduíches de queijo acompanhado por um bom vinho portuga.

Passeio por vilas e balneários

Por Dubes Sônego

Fechamos nossa estada na Madeira com dois dias de passeios de carro, com o Rodrigo e a Malu. No primeiro dia, o sol mostrou a cara e atravessamos a serra que divide a ilha. Visitamos diversas vilas da região oeste, almoçamos e tomamos banho no balneário de Porto Moniz. Foi um passeio para apreciar a vista sensacional dos penhascos, que brotam do mar, das pequenas vilas, incrustadas em pequenos vales, e das praias de areia escura e água transparente. No dia seguinte, tivemos menos sorte a fizemos boa parte do passeio sob ameaça de chuva, seguindo mais uma vez para o oeste, mas sem atravessar a serra – um guia local nos disse que o lado oeste da ilha vale mais a pena que o leste.


Um dos destaques, no segundo dia, foi o balneário da Calheta, dono de uma história curiosa. Conta-se que as areias claras que fazem a fama do local foram trazidas do deserto do Saara. Só que os idealizadores do balneário esqueceram que no Saara existem escorpiões e a nova praia teve que ser interditada no dia da inauguração. A solução final foi peneirar tudo, colocar de volta e organizar um novo evento.

Outro lugar que nos chamou a atenção foi o Jardim do Mar, um pequeno vilarejo, cheio de ruelas estreitas, da largura de calçadas, onde tivemos que pedir informações de uma moradora para encontrar o caminho de volta para o carro, estacionado na praça central.